
28/01/2020
Pesquisadores americanos e chineses coletaram amostras do gelo glacial mais antigo da Terra e encontraram 28 grupos de vírus desconhecidos, que estavam congelados havia 15 mil anos. Segundo os cientistas, as mudanças climáticas podem liberá-los.
"Na melhor das hipóteses, (o derretimento do gelo) poderia levar à perda de arquivos microbianos e virais que poderiam trazer informações sobre os regimes climáticos anteriores da Terra", escreveram eles. "No entanto, na pior das hipóteses, esse derretimento do gelo pode liberar patógenos no ambiente."
A coleta ocorreu em 2015 no Tibete. A equipe perfurou 50 metros na geleira para obter dois núcleos de gelo, que foram submetidos a um protocolo de descontaminação em três etapas.
Depois disso, os pesquisadores usaram técnicas de microbiologia para identificar micróbios nas amostras. As informações são do site futurism.com.
"Este estudo estabelece procedimentos ultra-limpos de amostragem microbiana e viral para os gelos glaciais, que complementam os métodos anteriores de descontaminação e ampliam, pela primeira vez, os procedimentos limpos para vírus", escreveu a equipe, em artigo publicado no banco de dados bioRxiv.
Para acessar a parte interna dos núcleos de gelo, os pesquisadores trabalharam dentro de uma sala com temperatura de -5°C e usaram uma serra de fita esterilizada para cortar 0,5 cm de gelo da camada externa.
Em seguida, os pesquisadores lavaram os núcleos de gelo com etanol para derreter outro 0,2 cm de gelo. Finalmente, lavaram o próximo 0,2 cm de distância com água estéril.
Depois de todo esse trabalho (raspando cerca de 1,5 cm de gelo), os pesquisadores alcançaram uma camada não contaminada que poderia ser estudada. Esse método se sustentou mesmo durante testes nos quais os pesquisadores cobriram a camada externa do gelo com outras bactérias e vírus.
Em 2016, um surto de antraz na Sibéria deixou 96 pessoas hospitalizadaas. A suspeita é de que uma onda de calor tenha derretido uma carcaça de veado infectada com a bactéria.
Estudos já mostraramque vírus de 30 mil anos descongelados ainda conseguem infectar seu alvo, uma ameba unicelular.
Fonte: O Globo
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