
23/01/2020
A engenheira ambiental Caroline Lopes, gerente de recursos hídricos da agência da Bacia do Rio Paraíba do Sul, afirmou na manhã desta quinta-feira (23) que o problema com a cor e aspecto da água n o Rio e na Região Metropolitana devem chamar a atenção para o grave problema de falta de esgotamento sanitário na área.
“A questão para a qual a gente tem que se voltar é que este quadro tem que servir como um alerta. Não é algo pontual. Temos décadas de lançamento de esgoto sem tratamento antes da chegada à estação de tratamento do Rio Guandu”, explicou a engenheira.
Segundo ela, que faz parte do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Guandu, o Rio sofre os efeitos ambientais da falta de planejamento urbano. De acordo com o diagnóstico dos especialistas, a recuperação do rio levaria pelo menos 30 anos e exigiria investimento de R$ 1,4 bilhão.
“Tudo é fruto de uma falta de planejamento urbano. A gente tem as cidades crescendo, o volume de esgoto muito grande chegando aos rios e que não foi acompanhado por obras suficientes para tratar todo esse esgoto”, destacou Lopes.
A engenheira ressalta ainda que obras como a construção de uma alça que vai alterar o ponto de captação da água levada à estação, por exemplo, não resolvem o problema maior, que é a falta de esgotamento sanitário em vários pontos. Ela cita a bacia do Rio Poços, em Queimados, como um dos pontos que mais recebe dejetos.
Mais do que a construção de estações de tratamento de esgoto, a especialista defende que exista uma fiscalização para garantir que elas operem em plena capacidade.
“A gente não tem que só ter a estação de tratamento de esgoto, mas também garantir a operação dela. Não adianta gastarmos inúmeros recursos com a obra se não mantivermos a operação”, explicou a engenheira.
A Cedae começou a usar nesta quinta o carvão ativado na Estação de Tratamento de Guandu, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
A companhia ainda não disse quando o odor e sabor da água vai melhorar, mas na quarta (22) o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, afirmou que a situação da água fornecida pela Cedae será resolvida dentro de, no máximo, uma semana.
Fonte: G1
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