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Coleta de lixo pode ser próxima vítima da crise no município: empresa irá reduzir transporte de rejeitos

19/12/2019

Depois da Saúde, a crise no caixa da prefeitura pode atingir a coleta de lixo. Com faturas em aberto no valor de R$ 35 milhões e mais uma a vencer na sexta-feira de R$ 27 milhões, a Ciclus Ambiental, que opera o aterro sanitário do Rio, anunciou que vai reduzir a partir de sábado suas atividades por falta de dinheiro para pagar salários e insumos, como diesel. A opção, diz a empresa, será reduzir a frota que faz o transporte dos rejeitos dos depósitos para o aterro, em Seropédica. Os reflexos na coleta devem começar a ser percebidos na segunda-feira.
Já o diretor-superintendente do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação (Seac-RJ), José de Alencar, calcula que o município deve pelo menos R$ 50 milhões a 30 fornecedoras de pessoal de apoio — principalmente para os setores de vigilância e limpeza — a órgãos públicos. Em muitos casos, a dívida se acumula há mais de três meses. Segundo ele, apesar de a prefeitura saber que não teria condições de cumprir os contratos, os fornecedores nunca foram procurados para renegociar as faturas.
— Quando o estado parou de pagar no governo passado, vinha de um cenário de perda de receitas, com a queda dos repasses dos royalties. No caso da prefeitura, não houve qualquer aviso oficial sobre as dificuldades. A suspensão dos pagamentos ocorreu em um momento em que as empresas esperavam ser pagas para quitar a segunda parcela do 13º — disse Alencar.
A dívida também é alta com empreiteiras. O presidente da Associação das Empresas de Engenharia (Aeerj), Luiz Fernando Santos Reis, estima que o valor total das faturas em atraso ultrapasse R$ 200 milhões. Diante da situação, ele recomendou que as filiadas cobrem as dívidas atrasadas na Justiça:
— Só com as empresas que fizeram obras emergenciais na Avenida Niemeyer, R$ 34 milhões contratados não foram pagos. Às vésperas da chegada do verão, o município tem ainda dívidas de R$ 20 milhões com as empreiteiras que fazem dragagem e limpeza de bueiros.
O Globo perguntou à prefeitura qual era o total das dívidas, mas não teve resposta.

Fonte: O Globo

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