
21/11/2019
Nenhum brasileiro se admira mais com as respostas pouco respeitosas dos membros do governo federal às perguntas dos jornalistas. Tornou-se também um mantra, e aqui me refiro especificamente à área ambiental, responsabilizar os governos passados e as ONGs pelos desastres que vêm acontecendo. Instado a responder sobre este último, que revela o aumento do desmatamento na Amazônia – em apenas doze meses foram derrubados 9.762 km² de florestas na região, um aumento de quase 30% com relação ao mesmo período anterior, segundo dados do Prodes (Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite) divulgados na segunda-feira (18) – o presidente Bolsonaro se limitou a direcionar a imprensa. Que os jornalistas perguntassem ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Este, por sua vez, responsabilizou as pressões econômicas e disse que é preciso estratégias para conter o problema. Não disse quais.
Sim, houve dois momentos preocupantes nos governos do ex-presidente Lula e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando o desmatamento alcançou níveis elevados, até mais do que agora. Mas, bastou que os dados fossem revelados, equipes foram convocadas para resolver a questão, como mostra esta reportagem de Guilherme Mazui. E conseguiram. O documento "Amazônia Brasileira: desafios para uma efetiva política de combate ao desmatamento" mostra outras estratégias que deram certo. A primeira providência deve ser ouvir e não negar os dados.
A falta de ações que possam inibir extração ilegal de madeiras e árvores da maior floresta tropical do mundo é preocupante e um dos motivos para a falta de esperança de que as coisas vão se ajeitar. Escancara o já ultrapassado caminho escolhido pela equipe governamental, do desenvolvimento a qualquer custo. Países que estão num patamar superior ao nosso já se preocupam muito com a destruição dos bens naturais e trilham para a economia de baixo carbono, que prevê a preservação de cada área verde que se tenha, porque árvores sequestram o carbono do ar. Até mesmo a China, país mais poluidor do mundo, está procurando uma solução, começando a se juntar à União Europeia, já que o pacto que fizera com os Estados Unidos de Obama foi por água abaixo depois que o negacionista Donald Trump assumiu o poder.
“Os efeitos do desmatamento das florestas serão provavelmente o primeiro desastre global gigantesco que nos saudará na próxima década ou dentro de duas décadas”, escreveu James Lovelock, cientista que recém completou 100 anos de idade, em seu livro “Gaia, um planeta doente”.
Saiba mais no G1
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