
19/11/2019
Em Nova Deli, na Índia, pediatras dizem que os pulmões das crianças não são mais róseos, mas pretos. O aquecimento do planeta já está afetando a saúde infantil no mundo todo e moldará o futuro de uma geração inteira, se não se conseguir limitar o aquecimento global bem abaixo de 2°C, aponta o relatório da organização Lancet Countdown para 2019, que mostra o impacto das mudanças climáticas na saúde humana.
"Nos últimos 30 anos, vimos um declínio progressivo do número de mortes de jovens, adultos e de crianças", disse à DW o pediatra Anthony Costello, copresidente da Lancet Countdown. "Mas o que nos preocupa é que todos esses ganhos possam ser revertidos se não enfrentarmos urgentemente o problema das mudanças climáticas."
A pesquisa – compilada por 35 instituições globais, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Banco Mundial – mostra claramente a relação entre mudanças climáticas, destruição ambiental e saúde.
As temperaturas crescentes impulsionam a fome e a desnutrição, e geram um aumento das doenças infecciosas, em escala e volume, e uma frequência cada vez maior de eventos climáticos extremos, à medida que a poluição atmosférica se tornou tão mortal para o pulmão humano quanto o tabaco.
Um bebê nascido hoje estará exposto aos impactos das mudanças climáticas desde o início de sua vida. O aumento das temperaturas, a seca e as inundações devastam as colheitas, causando queda da produção global. Isso priva os habitantes de seus meios de subsistência e faz aumentar os preços dos alimentos, o que por sua vez leva à fome e à desnutrição, principalmente em países que dependem muito da agricultura, como Burkina Faso.
"A desnutrição aguda em crianças de cinco anos de idade em Burkina Faso está acima de 10%", relata Maurice Ye, natural do país africano e consultor do Programa Nacional de Controle da Malária em Madagáscar. "Isso aumentará se nada for feito para resolver o problema."
Na Índia, a desnutrição já é a causa de dois terços das mortes de crianças com menos de cinco anos, afirma o relatório do Lancet. Embora a desnutrição esteja frequentemente ligada à fome, ela também pode ser resultado da ingestão de alimentos pouco saudáveis.
Mas com o aumento dos preços de produtos básicos, como cereais, os consumidores são motivados a comprar alimentos processados mais baratos. "Isso alimenta o outro extremo do espectro da desnutrição, que é o sobrepeso e a obesidade", explica Poornima Prabhakaran, vice-diretora do Centro de Saúde Ambiental da Fundação de Saúde Pública da Índia e coautora do relatório.
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