
19/11/2019
Frankie tinha perdido metade do rosto em decorrência de uma infecção fúngica. Mas, assim como outros axolotes, ele tinha um talento especial.
A veterinária e pesquisadora de axolotes Erika Servín Zamora, que também era cuidadora de Frankie, disse que ficou impressionada ao ver a extraordinária capacidade de regeneração do animal que ela, até então, conhecia apenas dos livros.
Em dois meses, Frankie ganhou um novo olho totalmente funcional, e a vida voltou ao normal em seu tanque no Zoológico de Chapultepec.
Mas não teve tanta sorte em seu habitat natural, a apenas 30 quilômetros ao sul do zoológico.
O axolote, anfíbio nativo dos lagos da Cidade do México, apesar de ter ganhado força como símbolo da capital mexicana, e especificamente no bairro de Xochimilco, declarado Patrimônio Mundial pela Unesco, está quase extinto na natureza — sobretudo por causa da proliferação de espécies invasoras de peixes e da poluição da água nos agitados canais da cidade.
Para piorar a situação, Frankie é um axolote albino, o que significa que ele é rosa claro com brânquias plumosas rosadas saindo da sua cabeça — uma presa fácil para as tilápias invasoras nas águas escuras e turvas de Xochimilco.
Conhecidos localmente como "monstros da água", os axolotes têm uma aparência que divide opiniões. Para alguns, essas criaturas de pele macia e 20 cm de comprimento são consideradas adoráveis, com um sorriso permanente no rosto. Para outros, esses anfíbios de quatro dedos são simplesmente estranhos.
Apesar da aparência um tanto polêmica, eles despertam um interesse particular nos cientistas, que acreditam que axolotes como Frankie possam ensinar um dia aos seres humanos o segredo da regeneração.
"Os cientistas estão tentando tirar proveito das propriedades regenerativas dos axolotes e aplicá-las em pessoas feridas em acidentes, guerras ou vítimas de doenças — pessoas que perderam membros", explica Servín Zamora.
"Outros estão procurando maneiras de como a regeneração do axolote pode ajudar a cicatrizar órgãos humanos, como coração ou fígado".
Os axolotes também estão ajudando Servín Zamora e outros cientistas a entender a aparente resistência ao câncer que todos os anfíbios parecem ter.
"Em 15 anos, não vi nenhum caso de tumor maligno em axolotes, o que é interessante", diz ela. "Suspeitamos que sua capacidade de regenerar células e partes do corpo ajude nesse aspecto."
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