
07/11/2019
Monitoramento em barcos de pesca para identificação visual das manchas de óleo no mar. Se a mancha avistada for pequena, pode ser pescada com um puçá. No caso das médias, siripoias. E, para as mais volumosas e pesadas, deve-se usar um tonel perfurado, manobrado com o guincho do barco.
Não deu pra capturar o óleo na água? Então, ele pode ser conduzido — usando barcos a remo — até praias de sacrifício com redes de pesca de malha bem fina, posicionadas na diagonal em relação à faixa de areia. Informação importante: nunca conduzir o óleo contra a corrente.
Todas estas indicações estão no manual "Como Pescar Petróleo", desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) em parceria com pescadores artesanais baianos, já com o desastre do derramamento de óleo no litoral nordestino em curso.
O documento foi formatado na sexta-feira (01), mas ainda está passível de atualização, pois novos métodos podem ser agregados.
Nos últimos dias, o manual vem sendo compartilhado com comunidades pesqueiras de todos os estados do Nordeste, pois o óleo segue avançando e, mais ainda, volta e meia ressurge em localidades já atingidas anteriormente.
No dia 28 de outubro, antes mesmo de o documento ficar pronto, pescadores da Reserva Extrativista (Resex) de Canavieiras, no sul da Bahia, utilizaram tais métodos, que já estavam sendo testados por eles, e conseguiram capturar no mar uma mancha de óleo de aproximadamente 80 quilos, como a BBC News Brasil mostrou em reportagem.
"Esse trabalho é um esforço de dar uma orientação técnica a tempo de ser usada, pois o óleo não para de chegar e ninguém sabe ao certo quanto ainda vem. Mas as principais indicações precisavam ser experimentadas antes de recomendadas", explica Miguel Accioly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que organizou o manual junto com o professor George Olavo, da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).
"Não tivemos nem muito apoio nem tempo adequados. Então, a maioria das experimentações contou com recursos das comunidades ou pequenos apoios. A documentação e a sistematização não têm a qualidade ideal, mas é melhor uma ação mediana no tempo certo do que perder o tempo da ação", diz.
Partindo de orientações já disponíveis nos manuais "Posow - Preparedness for Oil-polluted Shoreline clean-up and Oiled Wildlife interventions" (Preparação para limpeza de linhas costeiras poluídas por petróleo e intervenções para a vida selvagem atingidas por óleo, em tradução livre) e do "CEDRE - Centre of Documentation, Research and Experimentation on Accidental Water Pollutio" (Centro de Documentação, Pesquisa e Experimentação em Poluição Acidental da Água, em tradução livre), ambos referências globais no assunto, os professores e pescadores fizeram adaptações para encontrar técnicas melhor adaptadas à zona costeira nordestina.
Para ler a matéria completa acesse o G1
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