
29/10/2019
Depois de três semanas envolvido com as questões da Amazônia, no Sínodo que terminou neste sábado (26), o papa Francisco fez ontem (27), na missa da Basílica de São Pedro, uma espécie de reprimenda a quem menospreza a cultura indígena. Chamou de “superioridade presumida” o fato de não se dar o devido valor a esses povos. E atribuiu aos saques que se fizeram nas terras indígenas o que está acontecendo agora na Floresta Amazônica. O documento final do Sínodo alerta ainda para os riscos da mineração e do desflorestamento.
Há um pedido, feito pelos bispos que estiveram reunidos durante três semanas, de se classificar a degradação ambiental como um “pecado ecológico”. Desta forma, a Igreja será mais um poder a lutar pela mesma causa dos cientistas e dos ambientalistas. Que não se esqueçam de perceber que natureza e homem estão intrinsecamente ligados, e que não adianta preservar um sem considerar o outro.
Neste sentido, vejo com bons olhos quem apresenta soluções que consigam integrar o desenvolvimento que se quer, inclusivo, usando o potencial econômico da floresta em pé. Carlos Nobre, cientista e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP, que desde sempre acompanha o imbróglio entre preservação e progresso, debruçou-se sobre dados, relatórios, estudos, e criou o que chama de “terceira via para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”.
Há tempos, Carlos Nobre vem se ocupando e se preocupando com o fato de que os alertas feitos ao público em geral não está dando certo para criar uma consciência em torno da necessidade de se promover mudanças. Quando perguntadas, as pessoas se mostram preocupadas, sim, com o futuro da Amazônia. Mas apenas 10% delas se mostram dispostas a fazer alguma coisa para travar a degradação.
Interessados também em desvendar essa possibilidade, os empresários do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) convidaram algumas pessoas para ouvir as propostas sobre o projeto do cientista. O encontro foi na sexta-feira (25), eu estive lá e trago informações para os leitores.
O nome do projeto criado por Carlos Nobre é Amazônia 4.0, porque a ideia é realizar a 4ª Revolução Industrial para a região, que sofre sério risco de virar uma savana se a estação seca passar do período de quatro meses.
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