
24/10/2019
A Marinha definiu uma estratégia para tentar solucionar o mistério da origem do petróleo que contamina o Nordeste brasileiro: a investigação foi fatiada em três frentes, com apurações sobre o tráfego de navios na altura da costa brasileira, o movimento das correntes marítimas e os aspectos químicos do óleo encontrado nas praias , com análises que incluem uma tentativa de precisar o tempo de permanência desse material na água. Integrantes da Força acreditam que, assim, será possível montar o quebra-cabeças que leve a um responsável pela contaminação de 200 localidades em todos os estados do Nordeste.
Em resposta a uma ação coordenada do Ministério Público Federal (MPF), que cobrou o imediato acionamento do Plano Nacional de Contingência em caso de tragédias como a que está em curso, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) informou à Justiça Federal em Sergipe que o plano já foi acionado, e que a Marinha foi designada para chefiá-lo. A Justiça concordou com o argumento do MMA, e avaliou que o plano de contingência está em andamento.
Fontes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) confirmaram ao GLOBO que o plano foi, de fato, acionado. Duas decisões da Justiça Federa l, em Pernambuco e em Alagoas, obrigam o governo federal a tomar providências para minimizar os danos ambientais da contaminação por petróleo, com a proteção de corais e manguezais.
O mais provável é que uma resposta sobre a procedência do petróleo venha da Marinha. Também investigam o episódio, com chances de detectar de onde partiu o óleo, a Polícia Federal (PF) e universidades federais. Os trabalhos mais adiantados, segundo quem acompanha a tragédia de perto, é o da PF no Rio Grande do Norte e o da Universidade Federal de Sergipe.
A Marinha já fez, há duas semanas, um afunilamento dos principais navios sobre os quais existe algum indício de ser a fonte emissora do petróleo. O universo atual levado em conta nas investigações está restrito a 30 embarcações, de dez países diferentes. Todos os países já foram contactados pela Marinha, que busca elementos como relatos recentes de avarias nos navios, trocas de petróleo em alto-mar e se algum porto foi comunicado sobre problemas nessas embarcações.
A frente de investigação que cuida do fluxo de navios está a cargo do Centro Integrado de Segurança Marítima. Já o Centro de Hidrografia da Marinha está concentrado na análise das correntes marítimas. O Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira cuida das análises químicas.
O que se sabe, até agora, é que o petróleo encontrado nas praias do Nordeste tem o DNA venezuelano. Um laudo sigiloso produzido pela Petrobras foi o primeiro a registrar essa informação, ainda no começo da contaminação, em setembro. Depois, estudos de universidades federais tiveram a mesma conclusão. Isto, no entanto, não aponta culpa de autoridades ou empresas da Venezuela. O instituto da Marinha tenta precisar a procedência do petróleo. Para isso, busca elementos que permitam dizer, por exemplo, quanto tempo esse óleo permaneceu na água.
Saiba mais em O Globo
Mês dos manguezais expõe desafios ambientais na Barra e Jacarepaguá; saiba o que vem sendo feito
23/07/2026
Livro gratuito sobre a castanheira-da-amazônia é semifinalista do Jabuti
23/07/2026
10 bairros de São Paulo terão troca gratuita de lâmpadas
23/07/2026
Fóssil raro achado no Brasil revela nova espécie de cobra que viveu no interior de SP há milhões de anos
23/07/2026
Sem predador e com até 20 cm, rã-touro ameaça fauna em Florianópolis
23/07/2026
Área queimada no Brasil cai 58% em 2025
23/07/2026
