
22/10/2019
As manchas de petróleo que se espalharam podem favorecer o processo de erosão no litoral da Paraíba e prejudicar diretamente as falésias das praias de Cabo Branco e Seixas, em João Pessoa. O oceanógrafo e professor da UFPB, Tarcísio Cordeiro, explicou que o petróleo bruto registrado no litoral do Nordeste, especificamente em seis municípios da Paraíba, podem prejudicar o crescimento de corais e recifes, as primeiras barreiras contra o avanço do mar em direção à costa.
Segundo relatório do Ibama divulgado até a sexta-feira (18), 16 praias e seis cidades da Paraíba tinham registrado algum vestígio do petróleo bruto que se espalhou pelo litoral do Nordeste. A Paraíba foi o primeiro estado do Nordeste a notificar as autoridades navais e de meio ambiente sobre a existência de óleo no dia 30 de agosto de 2019, na cidade de Conde, Litoral Sul do estado.
Embora tenha sido o primeiro estado nordestino, os secretários de Meio Ambiente dos municípios atingidos, assim como a Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) convergem ao defender que a Paraíba pode ter sido o menos afetado com o vazamento de petróleo entre os estados da região.
Uma das explicações possíveis para o impacto reduzido no litoral paraibano é a dinâmica das principais correntes do oceano Atlântico na costa brasileira. Tarcísio Cordeiro explica que a Paraíba fica localizada em um ponto do continente onde a corrente Sul-Equatorial do Atlântico, que vem da África se bifurca gerando duas outras correntes que sobem em direção aos litorais do Norte e Sudeste do Brasil.
“Aqui ela se bifurca, uma parte da vai dar origem à Corrente do Brasil, que vai em direção ao Sudeste e desce para a Argentina, a outra que era chamada de Corrente das Guianas, hoje é chamada Corrente Norte do Brasil que vai até a foz do Rio Amazonas”, explica o especialista.
Para Tarcísio Cordeiro, a forma como os vestígios se espalharam no litoral do Nordeste podem indicar que o navio que possivelmente derramou o petróleo bruto devia estar sobre a corrente. “Ajudado pelo ventos, fez com que essas manchas se espalhasse e chegasse aqui [na Paraíba] primeiro. O processo foi gradativo, semana após semana, até terminar setembro”, comentou.
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