
09/06/2016
Quando se pensa em comida italiana, imagina-se um bom molho de tomate. Já um prato tailandês remete a sabores apimentados, enquanto em várias culinárias europeias as receitas com batatas são frequentes. Estes ingredientes, no entanto, só chegaram aos locais onde se tornaram símbolos gastronômicos nacionais em tempos relativamente recentes, pois tanto tomates quanto pimentas e batatas saíram das Américas.
E foi justamente em busca da relação entre o que plantamos, colocamos à mesa e suas origens que cientistas do Centro Internacional para a Agricultura Tropical (Ciat), na Colômbia, revelaram que, na média global, mais de dois terços de tudo que as pessoas cultivam e consomem hoje na verdade são comidas “estrangeiras”, com procedências muitas vezes milhares de quilômetros distantes de seus países. Segundo eles, a descoberta reforça a necessidade de proteger, preservar e gerenciar a diversidade das versões selvagens de alimentos que atualmente são a base de uma dieta cada vez mais globalizada, como o trigo, o arroz, a brasileiríssima mandioca e o milho, além de redobrar os esforços para que sua produção seja cada vez mais sustentável.
No estudo, publicado ontem no periódico científico “Proceedings of the Royal Society B”, os pesquisadores analisaram 151 cultivares vindos de 23 diferentes “regiões primárias de diversidade” — isto é, locais de provável origem — espalhadas pelo planeta e sua presença nas dietas e na agricultura de 177 países, que abrigam mais de 98% da população global. No lado do consumo, eles mediram o quanto das calorias, proteínas, gorduras e peso total da comida ingerida tinham como fontes plantas locais ou “importadas”, enquanto que no da produção calcularam a quantidade, área plantada e valor delas. Na média mundial, 65,8% das calorias, 66,6% das proteínas, 73,7% das gorduras e 68,7% do peso da comida ingerida pelas pessoas vêm de plantas estrangeiras. Já no campo, também na média global, 71% da quantidade, 64% da área plantada e 72,9% do valor da produção são de cultivos importados.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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