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Os graves efeitos do ´Super El Niño´ na América Latina previstos pelos cientistas

11/08/2026

Na sua primeira mensagem após a posse, no final de julho, a presidente do Peru, Keiko Fujimori, incluiu duas "emergências imediatas" entre suas prioridades: a falta de segurança e o fenômeno climático El Niño.
Os cientistas preveem que o El Niño atual pode vir a ser um dos mais intensos das últimas décadas.
"O clima não espera o tempo da burocracia", declarou Fujimori.
"Por isso, implementaremos um plano de contingência nacional frente ao fenômeno El Niño, que irá interromper a lógica da reação tardia, passando à era da prevenção oportuna."
Governos de outros países latino-americanos, como a Colômbia, o México e o Equador, já anunciaram medidas de reação às possíveis emergências climáticas causadas pelo El Niño.
O último relatório do Centro de Previsões Climáticas (CPC), um organismo da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), indica que "há 81% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, durante o período de outubro a dezembro" deste ano.
Existem indícios de que o evento de 2026 estaria "entre os eventos El Niño mais importantes do registro histórico" mantido pelos cientistas desde a década de 1950.
Seu potencial levou alguns especialistas a chamá-lo de "Super El Niño".
"Os impactos continuarão sendo sentidos em 2027. Aliás, os piores impactos irão ocorrer no próximo ano", explica à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o professor Ángel Adames, do Departamento de Ciências Atmosféricas e Oceânicas da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos.
"Daqui em diante, falaremos sobre os riscos do calor e as mudanças dos padrões de chuva sendo observados", destaca ele.
Os fenômenos El Niño e La Niña ocorrem com alguma frequência, causando sérias tempestades ou ondas de calor e secas prolongadas. Mas a combinação de fatores climáticos deste ano fortaleceu o fenômeno a um nível poucas vezes observado.
Um episódio normal do El Niño-Oscilação do Sul (Enso, na sigla em inglês) ocorre quando a temperatura da superfície do mar na zona tropical do centro do oceano Pacífico atinge +1,5 °C acima da média histórica. Ele pode durar de nove a 12 meses.
Mas, para que o evento seja considerado "forte" ou "muito forte", diversos fatores climáticos devem entrar na equação, segundo Adames. Um deles é o comportamento dos ventos alísios, que sopram de leste para oeste no Pacífico.
"Quando os ventos ficam mais fracos, o afloramento da água fria fora do litoral do Peru e do Equador é debilitado", explica o professor.
"Na ausência de água fria, ela é substituída por água mais quente. E, neste ano, o enfraquecimento foi muito grande e o aquecimento da água foi bastante rápido."
De fato, este ano trouxe alterações em diversos fenômenos meteorológicos, como a retroalimentação oceano-atmosfera, as ondas Kelvin ou mudanças da termoclina. Todas elas colaboram para o prognóstico de um El Niño mais forte que o habitual.
Anomalias como estas "precisam ocorrer todas de uma vez" para que o El Niño seja muito forte. E é o que aconteceu nos últimos meses, segundo Adames.
Ele também indica o aquecimento global como outro fator que provocou o fortalecimento.
Tudo isso faz com que os chamados "efeitos canônicos" do El Niño sejam mais pronunciados, como as secas, as intensas ondas de calor e as chuvas torrenciais.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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