
07/06/2016
Doença que provoca feridas na pele e está fortemente associada a um estigma social, a leishmaniose cutânea tem atingido milhares de refugiados e pessoas que se encontram em zonas de conflito no Oriente Médio, causando um surto "catastrófico", segundo um artigo publicado na revista científica "PLoS Neglected Tropical Diseases".
A leishmaniose já era endêmica na Síria, onde seu primeiro relato ocorreu em 1745. Mas, antes da guerra, as ocorrências da doença estavam restritas a duas zonas do país, ao redor das conhecidas cidades de Aleppo e Damasco. Agora, com a guerra, "o número de casos pode superar 100 mil por ano", escrevem os autores do artigo. Eles atribuem este aumento ao "deslocamento em massa da população dentro do país e alterações no habitats do flebotomínio (mosquito transmissor)".
Além da Síria, os pesquisadores também relataram casos no Líbano, Turquia, Jordânia, Líbia e Iêmen. No Líbano, por exemplo, houve apenas seis casos entre 2000 e 2012. No entanto, em 2013, o número de casos notificados foi 1.033. Destes, 96% foram entre os refugiados sírios, de acordo com o Ministério da Saúde do país.
Cerca de 4,2 milhões sírios já se deslocaram para os países vizinhos fugindo da guerra civil interna, que já dura mais de cinco anos.
O atual surto atinge regiões de concentração de refugiados, onde existem reservatórios de água em que os mosquitos que transmitem o parasita podem se proliferar. Esses insetos precisam, também, de altas temperaturas para sobreviver, uma vez que a doença é tropical. Ela é causada por um minúsculo parasita chamado Leishmania e provoca feridas abertas e dolorosas na pele, que podem levar a deformações permanentes.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
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