
07/06/2016
O Rio São Francisco está perdendo a batalha com o mar. Por causa da estiagem dos últimos anos, a vazão após a barragem de Xingó vem sendo paulatinamente reduzida desde o início de 2013. Sem força, o Velho Chico é invadido pela água salgada do Atlântico, num fenômeno conhecido como cunha salina, que provoca alterações no ecossistema e afeta o dia a dia das comunidades ribeirinhas.
Relatos dão conta da presença de crustáceos marinhos em Penedo, no estado de Alagoas, a cerca de 40 quilômetros da foz. Para a população local, a falta d’água e o sumiço dos peixes são os principais problemas.
— O que mais impressiona é ver o ribeirinho, que mora na beira do São Francisco, não poder beber água do rio por causa do sal — diz a bióloga Neuma Rubia, pesquisadora da Universidade Federal de Sergipe.
O avanço da cunha salina e seus impactos socioambientais será um dos temas do I Simpósio da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, realizado entre hoje e quinta-feira em Juazeiro, na Bahia.
A situação é particularmente grave em Piaçabuçu, município alagoano com cerca de 18 mil habitantes, a 13 quilômetros da foz. Todos os dias, a captação de água é interrompida durante a maré alta, quando as águas do mar invadem o rio com mais força. São duas interrupções diárias, de duas horas e meia cada.
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