
31/05/2016
O Brasil concentra 13% de toda a água doce do planeta. A nossa reserva soma 1,248 trilhão de metros cúbicos de água em reservatórios superficiais e aquíferos subterrâneos. A partir do segundo semestre, vamos saber quanto cada atividade econômica, cada produto, cada pessoa consome desse estoque de água, no mais ambicioso projeto que o IBGE desenvolve, ao completar 80 anos — marco alcançado hoje. As chamadas contas ambientais, que envolvem ainda fazer o mesmo cálculo para energia, florestas e uso da terra, são os próximos passos desse projeto.
— Vamos dizer quanto se usa de água para cada tonelada de aço produzida, para cada bovino criado, o consumo humano. Este ano estamos trabalhando para ter esse fluxo físico. O próximo passo é dar valor a esse consumo e criar uma conta satélite e depois integrá-la ao PIB — anunciou Wasmália Bivar, presidente do IBGE.
No país que viveu sua pior crise hídrica das últimas oito décadas, que secou as torneiras em São Paulo e fez a conta de luz aumentar cerca de 50% em um ano, essa informação é valiosa para conseguir estabelecer um ranking dos maiores consumidores e racionalizar o uso do recurso. Ao contabilizarmos o custo dessa água na nossa produção, nosso Produto Interno Bruto (PIB) vai ser maior? David Montero, coordenador de Recursos Naturais do IBGE, diz que não é possível saber ainda:
— Não se pode afirmar que uma redução nos estoques de recursos naturais acarrete necessariamente uma queda no nível do PIB. Mas pode-se dizer que um determinado nível do PIB pode ser alcançado com maior ou menor uso de recursos naturais, remetendo-se, assim, a um conceito de eficiência ambiental da economia.
Segundo Montero, as Nações Unidas estabeleceram em 2012 a forma de calcular as contas ambientais. Há quatro anos, IBGE e Agência Nacional de Águas (ANA) trabalham para saber o quanto vale a água, e quanto cada setor e produto usa do recurso natural:
— Estamos na vanguarda. Austrália, Colômbia, Canadá também estão avançando, mas são poucos os países que estão no mesmo estágio do Brasil. Essas contas vão ensejar uma série de estudos sobre o uso e custo da água. A sociedade poderá encarar a sustentabilidade como um todo, dar um valor. Quanto custou o acidente na barragem de Mariana? Quanto custou aquela perda? É uma nova ótica de enxergar a atividade econômica.
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