
05/11/2026
Cinco das oito ecorregiões de recifes de coral do Brasil estão em risco crítico de colapso, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). O dado integra a primeira avaliação global da Lista Vermelha de Ecossistemas dedicada aos recifes de coral, lançada durante a COP17 da Biodiversidade. A avaliação leva em conta as mudanças registradas nos últimos 50 anos e as projeções de estresse térmico provocadas pelo aquecimento dos oceanos nas próximas cinco décadas. As outras três ecorregiões brasileiras não têm dados suficientes para receber uma classificação geral de risco.
Considerando só as mudanças observadas nos últimos 50 anos, três ecorregiões já estavam em situação crítica: Parrachos, Costa dos Corais e Atol das Rocas e Fernando de Noronha. Abrolhos e Baía de Todos os Santos e Baixo Sul eram classificadas como Em Perigo (EN) de extinção nessa análise e passaram a Criticamente em Perigo (CR) quando entrou a projeção de estresse térmico para as próximas cinco décadas, no cenário intermediário SSP2-4.5 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Nesse critério, as cinco ecorregiões com dados suficientes chegam ao nível crítico.
O levantamento identifica as ondas de calor marinhas como a principal ameaça aos recifes brasileiros. Eventos registrados especialmente em 2019 e 2020 e em 2024 provocaram estresse térmico severo, branqueamento e mortalidade de espécies de corais. De acordo com a avaliação, as projeções climáticas indicam aumento desse estresse nas próximas décadas, ampliando o risco de degradação dos ecossistemas.
Além das mudanças climáticas, os recifes sofrem com a pesca excessiva, o desenvolvimento costeiro, a pressão turística e o lançamento de sedimentos e nutrientes provenientes do continente, que comprometem a qualidade da água. Atividades de exploração de petróleo e gás, mineração e navegação também representam riscos de contaminação e perturbação dos ambientes marinhos. Espécies exóticas potencialmente invasoras, como os corais sol e o peixe leão, acrescentam pressão sobre a biodiversidade.
A avaliação também identificou alterações na cobertura de corais e na composição das comunidades marinhas. Entre os indicadores considerados estão a proporção entre algas e corais e a biomassa de peixes herbívoros e predadores, grupos que desempenham funções importantes no equilíbrio dos recifes.
Os recifes brasileiros ocupam aproximadamente 1.100 km² e se estendem por quase 3 mil quilômetros da costa do Atlântico Sul. Embora representem cerca de 0,6% da extensão global desses ecossistemas, abrigam espécies endêmicas e formações singulares, como os chapeirões do Banco dos Abrolhos, além dos recifes oceânicos do Atol das Rocas e de Fernando de Noronha.
A matéria completa pode ser lida no CicloVivo
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