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Ecoparques dão nova vida aos resíduos e reduzem emissões

20/10/2026

O lixo que sai de nossas casas, dos comércios e das indústrias não precisa terminar sua trajetória em um aterro sanitário. Parte desses materiais pode retornar à cadeia produtiva, substituir matérias-primas virgens e contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Transformar essa possibilidade em realidade, entretanto, exige infraestrutura, tecnologia, planejamento e, sobretudo, uma mudança na maneira como a sociedade encara aquilo que descarta. É nesse contexto que os ecoparques operados pela Veolia em Brusque e Blumenau, em Santa Catarina, ganham importância.
As unidades integram uma estrutura de gestão de resíduos que envolve coleta, tratamento, recuperação de materiais e alternativas de valorização energética. O trabalho mostra como a economia circular pode sair do discurso e chegar à operação cotidiana das cidades.
A Veolia é líder mundial em serviços ambientais, com atuação nas áreas de água, resíduos e energia. Sua presença em Santa Catarina inclui serviços de coleta domiciliar, coleta seletiva em municípios atendidos e diferentes tecnologias para o tratamento e a destinação de resíduos.
Mas, para compreender a importância desse trabalho, é preciso olhar além dos caminhões de coleta e das instalações industriais. A questão central é o destino dos materiais depois que deixam de ter utilidade para quem os descartou — e o impacto ambiental que pode ser evitado quando eles encontram uma nova finalidade.
Em abril de 2026, o EcoParque Brusque recebeu uma Unidade de Triagem Mecanizada (UTM) da plataforma Ciclare, iniciativa desenvolvida em parceria com a eureciclo e a Just Climate, com financiamento do BID Invest. A Veolia abriga a instalação e é responsável por sua operação.
A nova estrutura representa um avanço importante diante de um dos principais desafios brasileiros: recuperar materiais recicláveis que ainda seguem misturados aos resíduos domiciliares e acabam perdidos em aterros sanitários.
Com capacidade para processar até 220 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, a unidade tem potencial para recuperar aproximadamente 15 mil toneladas anuais de materiais recicláveis, como plásticos e metais. A estimativa divulgada pelos responsáveis pelo projeto é evitar cerca de 33 mil toneladas de emissões de CO₂ equivalente por ano.
A tecnologia utiliza sistemas automatizados e separadores ópticos capazes de identificar e classificar diferentes materiais. Na prática, isso amplia a possibilidade de recuperar recicláveis que não foram separados adequadamente na origem, reinserindo-os na cadeia produtiva.
O resultado esperado vai além de reduzir o volume encaminhado aos aterros. Quando plástico, metal, papel e outros materiais retornam à indústria, diminui a necessidade de extrair e processar novas matérias-primas. Dependendo do material e do processo industrial substituído, isso também pode representar uma economia expressiva de energia e emissões.
A iniciativa não elimina a importância da coleta seletiva feita nas residências, nos estabelecimentos comerciais e nas empresas. Pelo contrário: a separação correta na origem continua sendo fundamental para melhorar a qualidade dos materiais recuperados. A triagem mecanizada funciona como uma camada adicional de recuperação, capaz de aproveitar parte do que ainda escapa desse processo.

A reportagem na íntegra pode ser lida no CicloVivo

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