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Conheça a feijoa, fruta brasileira esquecida que faz sucesso na Nova Zelândia

10/09/2026

Casca verde e dura, interior mole e cheiro de abacaxi. Assim é a feijoa, fruta nativa do sul do Brasil ainda desconhecida em território nacional. Apesar de ser parte da cultura alimentar de povos indígenas do país, a planta, também chamada de goiabeira-serrana, conquistou mais espaço no exterior.
Um dos maiores produtores do mundo, a Nova Zelândia cultiva a árvore para fazer geleias, bebidas e sorvetes. A Colômbia também tem tradição no plantio, nos Andes, onde os pés dão fruto o ano todo.
Embora cientistas e pequenos agricultores do Brasil observem aumento no interesse pela espécie nos últimos dez anos, a produção brasileira é tão pequena que fica difícil medi-la com precisão.
A jornada da feijoa pelo mundo começou no século 19, mas antes já era usada como alimento pelos povos xokleng, kaingang e guarani, que viviam nos territórios nativos da planta, como Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, além do norte do Uruguai. Ainda hoje descendentes indígenas usam a planta para fins medicinais.
Segundo Samira Moretto, pesquisadora da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul) e especialista em história ambiental global, a goiabeira-serrana faz parte do conjunto de plantas estudadas por naturalistas que visitaram o Brasil depois de 1808, data da chegada da família real portuguesa.
Entre os exploradores que vieram com a abertura dos portos estava o botânico alemão Friedrich Sellow, o primeiro a enviar amostras da fruta à Europa. Esse material foi depois catalogado por Otto Berg, em 1856, que nomeou a espécie como Feijoa sellowiana. Foi uma homenagem a Sellow e ao naturalista brasileiro José da Silva Feijó, nascido no século 18.
O nome científico mostra que a árvore é diferente da quase xará goiaba (Psidium guajava), onipresente nos mercados do Brasil.
Só 50 anos depois da descrição científica a goiaba-serrana seria cultivada no exterior, conta Moretto, que reconstituiu a história da fruta no doutorado. O primeiro plantio é atribuído ao arquiteto e botânico francês Édouard André, responsável por levar feijoas uruguaias para o sul da França.
Aclimatada ao país europeu, a planta começou a dar frutos. Animado com o pontecial frutífero, o botânico escreveu um artigo anunciando a planta sul-americana ao mundo.
A publicação criou interesse nas mudas do francês, principalmente nos Estados Unidos. Um dos pioneiros na importação foi Francesco Franceschi, italiano viveirista de plantas exóticas que passou a cultivar feijoa em Santa Bárbara, na Califórnia.
Segundo Moretto, Franceschi ficou tão apaixonado pela planta que enviava para todos os seus clientes um folheto incentivando o cultivo. O italiano dizia que a polpa era branca, suculenta e doce, com um pouco de acidez no gosto, e que o perfume combinava abacaxi, amora e banana.
Dos Estados Unidos, a goiabeira-serrana foi disseminada como árvore frutífera e ornamental para diferentes países, como Colômbia e Nova Zelândia, no começo do século 20. Nos dois locais, ela se adaptou bem ao clima. Ficou tão conhecida a ponto de parte da população acreditar que é da flora local.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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