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Guterres propõe 7 passos para enfrentar as “duas crises” globais

25/06/2026

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um forte apelo à ação climática durante a Semana de Ação Climática em Londres (London Climate Action Week), ao afirmar que o mundo enfrenta simultaneamente duas grandes crises interligadas: a crise climática e a crise energética. No seu discurso, sublinhou que ambas resultam de um mesmo fator – a dependência dos combustíveis fósseis – e exigem uma resposta comum, centrada numa transição rápida e justa para energias limpas.
Para romper em definitivo com o que considera “modelo falido” e garantir a segurança energética global, o chefe da ONU apresentou sete medidas essenciais para enfrentar as crises.
Como primeiro passo, ele sugeriu limitar o aquecimento ao nível de 1,5°C e combater o metano, com foco na redução drástica de resíduos, na modernização da agricultura e na eliminação total de vazamentos na indústria de petróleo e gás.
A segunda medida é que seja rompida a dependência e modernizada a infraestrutura taxando “lucros enormes das empresas petrolíferas” e direcionando esses recursos para apoiar famílias vulneráveis. Além disso, ele pediu uma reforma às redes de transmissão elétrica para serem tratadas como infraestrutura estratégica, com reformas regulatórias e licenciamentos que apoiem a era da eletrificação.
Como terceiro ponto, o secretário-geral pediu que seja confrontada a pegada ecológica da inteligência artificial cujas instalações podem consumir mais eletricidade do que a maioria das nações e gastar água suficiente para abastecer 1,3 bilhão de residentes da África Subsaariana por um ano até 2030. Tudo isso para resfriar seus servidores.
Como quarto passo, António Guterres menciona a garantia de uma transição justa e coerente pela criação de um espaço prático e unificado entre produtores, consumidores, indústrias e trabalhadores para alinhar as metas de corte de combustíveis fósseis com a segurança econômica regional.
A quinta medida é proteger comunidades com adaptação imediata. Esse passo requer estabilidade e segurança e os países precisam integrar a resiliência climática em seus planejamentos nacionais, criar sistemas de seguros eficazes e implementar alertas precoces de desastres para todos em cumprimento ao compromisso de duplicar, e futuramente triplicar, o financiamento para a adaptação.
Como sexta etapa, a proposta é transformar o atual sistema financeiro global para que países ricos cumpram a promessa de entregar os US$ 300 bilhões acordados e traçar um caminho claro para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035.
Para o chefe da ONU, os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, que viram sua capacidade de empréstimo subir entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões, devem usar esse capital de forma agressiva. Os fundos de longo prazo chegariam a 50 anos e as garantias públicas atrairiam o investimento privado em mercados emergentes.
Como sétimo estágio, Guterres propõe a defesa da ciência e da integridade da informação. Ele explicou que a desinformação adia as ações climáticas e é usada de forma deliberada para proteger interesses financeiros estabelecidos.

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