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A surpreendente recuperação dos manguezais após décadas de destruição pelo homem

18/06/2026

Os manguezais presentes nas zonas litorâneas do planeta protegem milhões de pessoas contra tempestades e absorvem imensos volumes de gases do efeito estufa. E, agora, eles estão revertendo seu declínio de forma inesperada, segundo os cientistas.
As árvores dos mangues vinham sofrendo rápido declínio há décadas. Elas foram cortadas para a construção de casas e a instalação de fazendas de criação de peixes.
Mas um novo estudo demonstra que, desde 2010, o crescimento dos mangues pelo mundo vem superando as perdas anuais. Isso se deve ao fortalecimento das proteções legais em diversos países e ao aumento da consciência das pessoas sobre a sua importância, especialmente após desastres como o tsunami de 2004 no Oceano Índico.
Mas o principal fator, segundo os pesquisadores, é a notável capacidade natural de regeneração desses ambientes, quando os seres humanos deixam de destruí-los.
Os mangues são heróis pouco reconhecidos do meio ambiente.
Eles armazenam até cinco vezes mais dióxido de carbono por área que as florestas terrestres. E suas raízes emaranhadas também podem reduzir a velocidade das ondas e proteger comunidades litorâneas contra marés de tempestade e tsunamis.
As mesmas raízes oferecem um berçário perfeito para muitas espécies de peixes e outros animais marinhos, protegendo-os contra os predadores e fornecendo enormes quantidades de alimento.
Mas todos estes benefícios ficaram seriamente ameaçados no século passado. O aumento da criação de peixes, da agricultura e a expansão das cidades litorâneas levaram muitos manguezais a serem derrubados e rapidamente removidos.
Entre os anos 1980 e 2010, mais de 12 mil quilômetros quadrados de manguezais foram destruídos na Ásia, África e no continente americano. Esta área corresponde a duas vezes o tamanho do Distrito Federal (DF).
Mas o novo estudo mostra uma reversão desta tendência, especialmente ao longo da última década. Agora, a perda líquida total (a área de mangue perdida e não substituída) desde os anos 1980 foi reduzida para cerca de 849 km².
Mas parte desta expansão, provavelmente, tem dois lados. Ela pode ter ocorrido às custas de danos ambientais em outros locais.
Em muitos países, incluindo o Brasil, novos manguezais tomaram conta das margens dos rios e litorais oceânicos, devido à grande quantidade de nutrientes nos seus sedimentos.
Mas este desenvolvimento se deveu à destruição das florestas e à mineração no interior do continente, que podem ter levado nutrientes do solo, como o nitrogênio, para os cursos d´água, beneficiando os manguezais ao longo dos rios.
"Esta é uma boa notícia para os manguezais", explica Pete Bunting, da Universidade de Aberystwyth, no Reino Unido, um dos autores do estudo. "Existem mais manguezais do que pensávamos e eles estão demonstrando sua resiliência."

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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