
07/05/2026
O Brasil gera mais de 2,4 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos por ano. É uma quantidade imensa de materiais que contaminam o meio ambiente quando descartados incorretamente. Agora, imagine transformar esse passivo ambiental em vantagem competitiva industrial? É o que propõe o “Projeto RECUPER3”, aproveitar os eletrônicos para reduzir a dependência brasileira dos chamados minerais críticos.
A Agência Nacional de Mineração define como “minerais críticos” o conjunto de minerais (ou elementos químicos presentes neles) essenciais para o desenvolvimento econômico e a segurança nacional. Lítio, níquel, nióbio e grafita são exemplos desses minerais produzidos no Brasil. A exploração de minerais críticos em território brasileiro está em foco no Congresso com o Projeto de Lei nº 2.780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
O contexto atual é propício para discutir a cadeia de resíduos eletroeletrônicos do país, cujo diagnóstico foi apresentado pelo Projeto RECUPER3, conduzido pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Entre outras ações, a iniciativa mapeou “minas urbanas”, isto é, fontes secundárias de insumos estratégicos que o Brasil ainda não aproveita em sua totalidade.
Muitos brasileiros possuem guardados em suas gavetas minerais demandados globalmente e cada vez mais. São materiais como lítio, cobalto, ouro, platina e paládio, contidos em equipamentos como celulares, computadores e baterias descartados.
“O Brasil ainda joga fora uma riqueza enorme. Cada celular, cada placa de circuito que vai para o lixo comum carrega minerais críticos que precisamos importar a custo elevado”, afirma a Dra. Lúcia Helena Xavier, pesquisadora do CETEM e coordenadora do Projeto RECUPER3. A iniciativa, segundo ela, mostrou que “a mineração urbana pode garantir o fornecimento desses insumos para a nossa indústria e fortalecer a soberania tecnológica do país”. Para tanto, é preciso investir em rastreabilidade, processamento nacional e políticas consistentes.
O estudo de campo, realizado entre julho de 2024 e março de 2025, ouviu 1.426 consumidores e mapeou atores-chave na cadeia de valor, como comerciantes, catadores, recicladores, centros de recondicionamento de computadores, assistências técnicas e órgãos ambientais em todo o país.
“Um dos achados é o chamado “índice de retenção domiciliar”: 81,2% dos brasileiros mantêm equipamentos obsoletos, até com substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio e cádmio, em casa por longos períodos por falta de informação sobre onde e como descartá-los”, relata a pesquisadora.
O diagnóstico também revelou desafios estruturais. A rede de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs), por exemplo, ainda não dá conta do volume de resíduos gerados. Além disso, o setor varejista tem baixa adesão às obrigações previstas no decreto que regulamenta a logística reversa de produtos eletroeletrônicos (10.240/2020). Outro desafio é a desigualdade na capacidade institucional dos órgãos ambientais: há grandes diferenças entre os estados, tanto nos processos de licenciamento quanto na integração de sistemas eletrônicos de monitoramento.
Para enfrentar tais questões, o Projeto RECUPER3 propõe um conjunto de ações integradas. As iniciativas vão desde a conscientização da população até a harmonização das legislações estaduais, incluindo também investimentos em tecnologias nacionais voltadas ao refino de resíduos.
Fonte: CicloVivo
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