
16/04/2026
A maior floresta tropical dos Estados Unidos seguirá protegida da exploração madeireira após uma decisão da Justiça do Alasca. Um juiz do tribunal distrital rejeitou a ação movida por uma coalizão de empresas do setor que buscava autorização para operar em áreas da Floresta Nacional de Tongass. Considerada a maior floresta nacional do país e também a maior floresta tropical temperada do planeta, Tongass é um importante refúgio para diversas espécies, entre elas a águia-careca, a baleia-cachalote, o leão-marinho-de-steller, o salmão-rei, o urso-pardo, a cabra-das-montanhas e o arminho-de-haida, uma espécie ameaçada de extinção e parente totalmente branca da doninha.
A ofensiva judicial partiu da Alaska Forest Association, da Viking Lumber Company, Inc. e da Alcan Timber Incorporated. Juntas, as empresas acionaram o Departamento de Agricultura dos EUA e seu secretário, além do Serviço Florestal dos EUA e seu diretor, em março do ano passado. Em defesa dos réus, participaram do processo dois municípios locais e diversos grupos ambientalistas. A juíza Sharon L. Gleason acolheu o pedido dos réus para encerrar o caso e determinou o arquivamento “com prejuízo”, o que impede que os autores voltem a processar as mesmas partes com base nas mesmas alegações.
Esse tipo de decisão costuma ser aplicado em situações consideradas frívolas, quando há notificação indevida de advogados ou quando o juiz entende que o caso foi estruturado de forma fraudulenta. Independentemente da motivação, o resultado prático é que as florestas primárias de Tongass permanecem preservadas, garantindo a proteção do arminho Haida, das águias-carecas e de toda a fauna local. “Esta decisão é uma grande vitória. Estou aliviada por o tribunal ter rejeitado categoricamente a tentativa precipitada da indústria madeireira de impor a exploração madeireira em larga escala”, disse Marlee Goska, advogada do Centro para a Diversidade Biológica no Alasca, em um e-mail para o GearJunkie. “Este processo não tinha fundamento legal, e o tribunal agiu corretamente ao arquivar o caso sumariamente. Precisamos preservar a Floresta Nacional de Tongass em prol da vida selvagem, do clima e das comunidades locais.”
A disputa judicial envolvia a interpretação de duas regulamentações aprovadas pelo USDA, em 2016 e 2021, além da Tongass Timber Reform Act (TTRA), lei de 1990 que estabelece a obrigação de disponibilizar áreas para exploração florestal de modo a atender à “demanda do mercado”. O Plano Florestal de 2016, alinhado às exigências da TTRA (Lei de Redução de Danos às Terras Tribais), previa a possibilidade de venda de 46 milhões de pés cúbicos de madeira da Floresta Nacional de Tongass, sendo 34 milhões provenientes de florestas primárias e 12 milhões de áreas jovens. Já em 2021, o USDA anunciou a “Estratégia de Sustentabilidade do Sudeste do Alasca” (SASS), que determinava o fim da exploração dessas florestas na região, exceto em casos ligados a demandas tribais.
As empresas alegaram que o volume de madeira extraído nos últimos anos ficou muito abaixo dos 34 milhões de pés cúbicos previstos, além de não atender à “demanda de mercado”. Também sustentaram que a SASS, por se tratar de uma decisão judicial, deveria ter passado por consulta pública, o que, segundo elas, não ocorreu. Por outro lado, os réus defenderam que tanto o Plano Florestal de 2016 quanto a TTRA não estabelecem cotas obrigatórias, mas sim diretrizes amplas e limites máximos. Argumentaram ainda que a SASS não configura uma nova decisão, mas uma continuidade do plano anterior. A juíza Gleason concordou com essa interpretação, afirmando que o plano de 2016 não fixa uma meta de extração de 34 milhões de pés cúbicos de madeira de florestas primárias, e sim um teto. Com isso, o caso foi encerrado com resolução de mérito. Em documentos apresentados no dia em que a juíza analisou o pedido de arquivamento, o Centro para a Diversidade Biológica citou uma declaração de um executivo da Viking Lumber, segundo a qual, sem a comercialização de madeira de reflorestamento, a empresa provavelmente enfrentará falência.
Fonte: CicloVivo
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