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Poluição tóxica causada pela guerra no Irã deve se espalhar e durar por décadas

18/03/2026

A notícia de chuva negra caindo sobre Teerã pareceu familiar demais para Nejat Rahmanian enquanto ele via os alertas nas redes sociais e tentava contatar parentes em 8 de março.
Ataques de drones israelenses atingiram enormes depósitos de petróleo e refinarias nos arredores da capital iraniana algumas horas antes, incendiando combustível e liberando colunas de fumaça negra, que se misturaram com nuvens de chuva que despejaram produtos químicos tóxicos sobre a cidade mais tarde naquele dia.
As descrições lembraram o pesquisador iraniano de um evento semelhante que ele vivenciou na cidade 35 anos atrás. Foi surreal, recordou Rahmanian, professor de engenharia química e de petróleo na Universidade de Bradford, no Reino Unido. Roupas penduradas para secar ficaram manchadas e o ar parecia pesado. Ninguém sabia o porquê.
Mais tarde, eles descobriram que a cerca de 1.290 quilômetros de distância, no Kuwait, forças iraquianas combatendo tropas americanas e aliadas na Guerra do Golfo haviam incendiado centenas de poços de petróleo. Nuvens de fuligem, hidrocarbonetos e dióxido de enxofre sopraram sobre o Irã, poluindo tudo em seu caminho —e acelerando o derretimento de geleiras no Himalaia, de acordo com um estudo de 2018 liderado por Jiamao Zhou na Academia Chinesa de Ciências.
A mais recente guerra na região —que entra em sua terceira semana no sábado (21)— está liberando poluentes semelhantes que terão um impacto ainda maior sobre Teerã e sua região metropolitana, lar de cerca de 18,5 milhões de pessoas, porque foram liberados muito mais perto, dizem especialistas.
"Sempre vemos instalações petrolíferas sendo atacadas em conflitos", disse Doug Weir, diretor executivo do Conflict and Environment Observatory, ou CEOBS, "mas é extremamente raro que estejam próximas a uma grande cidade como Teerã".
O CEOBS, uma organização sem fins lucrativos sediada no Reino Unido que visa conscientizar sobre as consequências ambientais e humanitárias da guerra, identificou mais de 300 incidentes envolvendo algum risco ambiental como resultado das hostilidades em curso, de acordo com os dados mais recentes disponíveis.
Mísseis e bombas contêm metais pesados e outros poluentes tóxicos, que são liberados no ar, solo e água quando explodem e caem, permanecendo frequentemente por décadas e representando riscos à saúde. A limpeza é difícil e cara.
"Muitas pessoas estão expostas à poluição e continuarão a estar", disse Weir.
O ataque israelense que atingiu os depósitos de petróleo nos arredores de Teerã foi o maior incidente de poluição desta guerra até agora, acrescentou ele.
As autoridades iranianas inicialmente aconselharam os moradores a permanecerem em ambientes fechados, alertando que a chuva ácida poderia causar queimaduras químicas na pele e danificar os pulmões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde da ONU, que fez a mesma recomendação.
Altos funcionários iranianos e a televisão estatal posteriormente instaram as pessoas a saírem às ruas e participarem de manifestações organizadas pelo Estado, incluindo uma marcha anual pró-Palestina no centro de Teerã na sexta-feira.
"Eu esperaria impactos agudos na saúde respiratória", disse David J.X. González, professor assistente na Universidade da Califórnia, Berkeley, que acrescentou que crianças pequenas e mulheres grávidas são especialmente vulneráveis aos poluentes atmosféricos.

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