
29/01/2026
A presença de tubarões e de outras espécies oceânicas na Lagoa de Araruama, em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio, tem chamado a atenção de moradores e gerado questionamentos sobre possíveis impactos ambientais no ecossistema lagunar.
Entre os dias 19 e 26 de janeiro, dois registros foram feitos na Lagoa, o que levou muitos moradores a associarem o fenômeno a um possível descontrole ambiental.
Além dos registros recentes de tubarões, também já foram identificadas moréias e outras espécies tipicamente oceânicas no interior da lagoa. Apesar da repercussão, especialistas afirmam que a presença desses animais não indica prejuízo ambiental. O fato está associado à renovação hídrica do sistema e à melhora das condições ambientais da lagoa.
De acordo com o biólogo Eduardo Pimenta, o animal registrado recentemente se trata de uma espécie comum no litoral brasileiro.
“É um tubarão conhecido como cação-frango, um tubarãozinho pequeno, inofensivo, que não oferece risco. Não é a primeira vez que existe registro de cação, que eles chamam de tubarão, cação, tubarãozinho pequeno, na Lagoa de Araruama”, explicou.
O biólogo detalha que o cação-frango (Rhizoprionodon porosus), também conhecido popularmente como cação-figuinho ou cação-rabo-seco, é uma espécie de tubarão da família Carcharhinidae. O animal é comum e considerado inofensivo, com corpo alongado, focinho longo e sulcos labiais bem desenvolvidos no canto de ambos os maxilares. Um dos registros mais recentes ocorreu no Canal do Itajuru, na noite deste domingo (25).
Ainda de acordo com Pimenta, a entrada recorrente de espécies oceânicas na lagoa está diretamente ligada a mudanças estruturais e naturais que aumentaram o volume de água do mar no sistema lagunar.
“A entrada de espécies oceânicas em grande volume na lagoa corrobora para a renovação hídrica lagunar, o que pode ser associado à saúde ambiental da lagoa e a melhorias das condições de balneabilidade”, afirmou.
Ele explica que o Projeto Imersão, da UVA, acompanha há anos o volume capturado na Lagoa de Araruama, avaliando a estatística da pesca, o esforço pesqueiro e a produtividade.
“A gente faz o acompanhamento já há alguns anos do volume capturado na Lagoa de Araruama, faz a estatística da pesqueira, avalia o esforço de pesca, e esse ano foi um ano (2025) muito bom, um ano de muita produtividade comparado com os anos anteriores”, disse.
Entre os fatores que explicam o aumento da entrada de espécies oceânicas está a ampliação do vão da ponte que liga Cabo Frio a São Pedro da Aldeia.
Outro ponto citado é a dragagem realizada no sistema lagunar.
“A própria dragagem também corrobora para o aumento do volume de água oceânica adentrando a lagoa”, explicou o biólogo. Ele acrescenta que o regime natural de marés também tem papel fundamental nesse processo.
“A gente tem duas marés enchentes e duas marés vazantes em 24 horas, que é o regime de marés direcionado pela lua, com marés de sizígia mais intensas e marés mortas com menor intensidade”, afirmou.
Conforme Pimenta, durante as marés enchentes, a água oceânica leva para dentro da lagoa larvas, pós-larvas e juvenis de diversas espécies.
“Essas marés enchentes levam juvenis, larvas e pós-larvas de espécies oceânicas para dentro da lagoa. Isso não tem relação nenhuma com dano ou desequilíbrio ambiental. Pelo contrário, evidencia que tem entrado muita água oceânica na Lagoa de Araruama, promovendo a renovação dessas águas”, disse.
Ele reforça que esse processo é benéfico tanto para a qualidade ambiental quanto para a pesca.
Atualmente, as principais espécies capturadas na lagoa continuam sendo camarão, perumbeba, tainha, parati, carapicú e graçainha. Já espécies oceânicas como salema, linguado, pampo, caratinga, sargo, cocoroca, vermelho-dentão, corvina, enchova e sardinha têm sido registradas como espécies secundárias, algumas delas com volume comercial relevante nas capturas realizadas dentro da lagoa.
Esta reportagem na íntegra pode ser lida no g1
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