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Corais resistentes ao calor salvam recifes na Ilha Maurícia

29/01/2026

A restauração de recifes com corais naturalmente mais resistentes ao aumento da temperatura da água já apresenta resultados expressivos na Ilha Maurícia. Liderada pelo Dr. Nadeem Nazurally, a iniciativa registrou taxas de sobrevivência de até 98% — e, em alguns casos, ainda maiores — mesmo durante um intenso evento de branqueamento ocorrido no verão passado.
Enquanto recifes naturais vizinhos chegaram a apresentar até 80% de branqueamento, os recifes manejados por Nazurally permaneceram praticamente intactos. O episódio funcionou como o primeiro grande teste de campo para os novos métodos de manejo, confirmando o potencial real dessas estratégias para proteger os ecossistemas marinhos nas próximas décadas.
Localizada ao largo da costa leste da África, a Ilha Maurícia abriga quase 250 espécies de corais e hidrozoários. Seus recifes sustentam tanto a vida marinha quanto comunidades humanas, servindo de base para uma atividade pesqueira que movimenta bilhões em receitas e abriga cerca de um quarto de toda a vida marinha do país.
Desde 1998, quando o arquipélago enfrentou seu primeiro episódio de branqueamento, os recifes já passaram por esse fenômeno outras quatro vezes. O mais recente ocorreu no verão passado, quando a temperatura da água atingiu 31 °C. Ao longo desses eventos, ficou claro que as estratégias tradicionais de restauração — como a clonagem a partir de fragmentos de colônias mais robustas — deixaram de ser eficazes diante do aquecimento contínuo dos oceanos.
Com apoio financeiro do governo e da ONU, novas abordagens passaram a ser desenvolvidas. Organizações como o Instituto de Oceanografia de Maurício, a Universidade de Maurício e o Oceanário Odysseo atuam em conjunto para avançar a ciência da reprodução de corais resistentes ao calor. O sucesso obtido por Nazurally no último verão é considerado uma evidência concreta do progresso alcançado pela comunidade científica marinha do país.
A reprodução de corais evoluiu significativamente na última década. Por serem animais, os corais se reproduzem de forma semelhante a outros invertebrados marinhos, por meio da liberação externa de gametas. Esse processo, no entanto, é extremamente difícil de prever: ocorre de forma sincronizada em recifes inteiros, geralmente em uma única noite, por apenas algumas horas.
A Odysseo passou a aplicar avanços globais na previsão desses eventos de desova, criando um programa de monitoramento que permite a coleta de óvulos e espermatozoides diretamente no mar, com o apoio de embarcações. A partir desse material, corais são cultivados em viveiros protegidos, onde são selecionados para reprodução aqueles fenótipos que demonstram maior resistência a águas mais quentes.
Um estudo publicado pelo Dr. Nazurally no verão revelou resultados expressivos. O gênero de hidrozoário Millepora, semelhante ao coral, quando cultivado por esse método, apresentou taxa de sobrevivência de 99,8% durante o branqueamento. Em comparação, a taxa média de sobrevivência foi de 88% considerando todos os gêneros de coral, enquanto corais cultivados por métodos anteriores, sem foco na resistência térmica, registraram apenas 10% de sobrevivência.
A pesquisa também analisou diferenças no crescimento de corais cultivados em plataformas flutuantes, a meia profundidade, e no fundo do mar. Os resultados indicam que, em áreas altamente urbanizadas e turísticas, as plataformas flutuantes ajudam a proteger os corais da sedimentação prejudicial. Já em regiões menos frequentadas, o cultivo em viveiros no fundo do mar se mostrou uma alternativa mais adequada.

Fonte: CicloVivo

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