UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Quando a embalagem do café entra na circularidade

02/09/2025

Inovar, hoje, vai além de lançar algo novo, mas, sim, repensar estruturas inteiras. No caso dos produtos de consumo, esse movimento significa reavaliar todo o seu ciclo de vida para responder a desafios urgentes. Um exemplo vem da indústria do café. Segundo dados fornecidos pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), estima-se que são produzidas cerca de 3,3 bilhões de embalagens por ano. A maioria desses pacotes é composta por materiais multicamadas, como plástico, papel e alumínio, projetados para conservar o produto. O problema é que, após o consumo, quase a totalidade dessas embalagens é descartada sem possibilidade de reaproveitamento.
Essa realidade ocorre dentro do setor que, ainda segundo a Abic, movimentou em 2024 cerca de R$ 36,8 bilhões e consumiu 21,9 milhões de sacas de café industrializado. Do volume total produzido, cerca de 80% é consumido internamente, em forma de café torrado e moído, o que representa mais de 1 bilhão de quilos por ano. Em um mercado dessa escala, cada decisão conta, e a escolha da embalagem é uma delas.
Nesse cenário, o país passou a contar com sua primeira embalagem monomaterial desenvolvida para reciclagem, a O1NE. Diferentemente dos modelos convencionais, que misturam papel, alumínio e plásticos, dificultando a triagem e reaproveitamento, essa versão é composta por até 95% de polietileno de alta densidade. Isso torna o processo de reciclagem mais simples, eficiente e acessível.
A iniciativa nasceu da articulação promovida pelo Movimento Circular, que reuniu os conhecimentos técnicos da Dow e da Valgroup à marca Catarina Café e Amor. Trata-se de um caso exemplar de como soluções sustentáveis podem emergir da colaboração entre diferentes setores da sociedade, quando há disposição para romper com padrões consolidados. Mostra, ainda, como a ciência de materiais pode ser aliada de modelos econômicos mais regenerativos, especialmente quando articulada com visão estratégica e compromisso ambiental.
Nesse contexto, o papel do Movimento Circular evidencia a importância de agentes que atuam como mediadores entre conhecimento técnico, educação e transformação de mercado. Para isso, consolida-se como uma visão colaborativa voltada à promoção da economia circular na América Latina, com base na informação e no estímulo à mudança cultural.
Mais do que uma solução pontual, essa iniciativa representa, ainda, uma provocação às cadeias produtivas que seguem operando com embalagens complexas, de difícil reaproveitamento. Torrefações, varejistas e consumidores têm, agora, a oportunidade de repensar suas escolhas e adotar práticas que favoreçam a regeneração de recursos.
A circularidade começa no design do produto, mas se concretiza na prática cotidiana. E, para que os avanços deixem de ser exceções, será preciso mais do que boas ideias, mas compromisso. O convite está feito, e não é apenas para o setor do café.
Artigo enviado por Vinicius Saraceni, empreendedor social, fundador da Atina Educação e idealizador do Movimento Circular. Agregador e formulador de iniciativas e projetos educacionais em sustentabilidade e economia circular. Impactou positivamente mais de 5 milhões de pessoas com apoio de dezenas de parceiros públicos e privados, por meio de iniciativas educacionais e de fomento à cultura, em diferentes frentes de atuação.

Fonte: CicloVivo

Novidades

Obras de contenção de encostas e enchentes no Rio tem cronograma acelerado por causa dos efeitos do El Niño

21/07/2026

Algumas das obras estruturais realizadas pela Prefeitura do Rio tiveram o cronograma acelerado como ...

Recife vai criar modelo de coleta e reciclagem de embalagens

21/07/2026

O Recife passa a ocupar uma posição estratégica na transição para a economia circular no Brasil. Uma...

Amazônia fecha 1º semestre com menor desmatamento em 10 anos

21/07/2026

Os alertas de desmatamento na Amazônia, no primeiro semestre de 2026, apontam para uma tendência ani...

Amazônia pode não se recuperar de seca do último El Niño mesmo após sete anos, diz estudo

21/07/2026

Dois anos após as secas históricas na amazônia, um novo El Niño volta a ameaçar a floresta. A mata n...