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Última elefanta que vivia em cativeiro na Argentina chega a santuário em Mato Grosso; veja fotos

10/07/2025

A elefanta-africana Kenya chegou nesta quarta-feira (9) ao Santuário de Elefantes Brasil, localizado na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. Ela viveu solitária no Ecoparque de Mendoza, na Argentina, durante cerca de 40 anos e agora terá a chance de conviver com Pupy, outra fêmea trazida do país vizinho.
A viagem até o santuário começou na última sexta-feira (4) e mobilizou um grupo de veterinários e biólogos, além de autoridades brasileiras e argentinas. A elefanta de 44 anos foi transportada ao longo de 3.600 quilômetros em uma caixa sobre um caminhão, com paradas a cada três horas para alimentação e hidratação. Depois que ela cruzou a fronteira entre os dois países, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) escoltou o veículo.
"A Kenya era a última elefanta em cativeiro na Argentina, que agora é um país livre de elefantes em zoológicos", diz o biólogo Daniel Moura, que trabalha no santuário.
O processo de preparação para o transporte envolveu um treinamento para que a elefanta se acostumasse a ficar dentro da caixa. O animal vivia em um recinto sem vegetação no Ecoparque de Mendoza e não tinha a companhia de outros elefantes.
"Essa transferência vai mudar a vida da Kenya para muito melhor. Ela vivia em um lugar hostil, completamente inadequado para um elefante. É uma mudança grande e radical na vida dela", diz Moura.
Segundo o biólogo, as condições do cativeiro causaram frustração e ansiedade à elefanta. "A vida no santuário será o oposto, a Kenya vai para um lugar amplo e dinâmico, com estímulos cognitivos, físicos e sociais", diz.
A elefanta chegou à Argentina em 1985, com apenas quatro anos de idade, vinda de um zoológico alemão. Ela conviveu por um período breve com outro macho no Ecoparque de Mendoza, mas passou a maior parte da vida sozinha.
A vinda de Kenya para o Brasil acontece quase três meses após a chegada de Pupy, elefanta-africana que vivia no Ecoparque de Buenos Aires e também foi transferida para o santuário em Mato Grosso. Havia a previsão de que um macho chamado Tamy fosse levado para o local, mas ele faleceu em junho na Argentina antes da conclusão dos trâmites para o transporte.
"Desde que chegou ao santuário, a Pupy virou outra elefanta, ela se comunica e explora todo o ambiente. A Kenya vai prosperar da mesma forma, e em algum momento as duas vão começar a interagir. Isso vai ajudar muito, porque os elefantes necessitam da presença uns dos outros para se desenvolver", conta Moura.
Para Leandro Fruitos, técnico de conservação da natureza e conselheiro do Ecoparque de Mendoza, o motivo principal para a ida dos elefantes para Mato Grosso é justamente a maior socialização. "Essas experiências podem inspirar outros países a fazer transferências de animais, para que eles possam viver próximos à natureza. No santuário, eles são livres para ser elefantes", diz.
Em um primeiro momento, Kenya ficará separada de Pupy para se acostumar com o novo local, mas elas poderão se aproximar por meio de uma divisória entre o habitat de cada uma. "Conforme elas forem ficando à vontade, vamos deixar com que elas fiquem mais próximas, até elas ficarem no mesmo espaço. Vai depender se elas quiserem isso ou não", afirma Moura.
Há outras elefantas no santuário em Mato Grosso, chamadas Bambi, Guillermina, Maia, Mara e Rana, mas elas são da espécie asiática e não podem estar no mesmo ambiente que as africanas.
O santuário não é aberto à visitação pública, já que o foco é garantir a autonomia dos animais e preservar o comportamento original deles.
O Brasil ainda tem elefantes em cativeiro, ao contrário da Argentina. De acordo com Moura, há a intenção de transferir outros animais para o santuário, mas sem um prazo determinado. "Depende de muitas variáveis e da boa vontade dos atuais tutores desses elefantes, que são os zoológicos", afirma.

Fonte: Folha de S. Paulo

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