
13/03/2025
Os seres humanos estão vivendo em um mundo de plâncton. Esses organismos minúsculos estão espalhados pelos oceanos, cobrindo quase três quartos do planeta, e estão entre as formas de vida mais abundantes da Terra.
Mas o mundo em aquecimento colocam os plânctons em risco, ameaçando toda a cadeia alimentar marinha que é construída a partir deles.
Há um ano, a Nasa lançou um satélite que forneceu a visão mais detalhada até agora da diversidade e distribuição do fitoplâncton. Suas percepções devem ajudar os cientistas a entender as dinâmicas em mudança da vida no oceano.
"Você gosta de respirar? Você gosta de comer? Se sua resposta for sim, então você se importa com o fitoplâncton", disse Jeremy Werdell, cientista líder do programa de satélites, chamado PACE (Plâncton, Aerossol, Nuvem, Ecossistema Oceânico).
Historicamente, a pesquisa feita a partir de navios capturou imagens limitadas, oferecendo apenas vislumbres dos oceanos em constante mudança. O surgimento de satélites deu uma visão mais completa, mas ainda limitada, como olhar através de óculos com um filtro verde.
"Você sabe que é um jardim, você sabe que é bonito, você sabe que são plantas, mas você não sabe quais plantas", exemplificou Ivona Cetinic, oceanógrafa da Nasa. O satélite PACE remove efetivamente o filtro e finalmente revela todas as cores do jardim, disse ela. "É como ver todas as flores do oceano."
Essas flores são o fitoplâncton, pequenas algas aquáticas e bactérias que realizam fotossíntese para viver diretamente da energia do sol. Eles são comidos pelo zooplâncton, os menores animais do oceano, que, por sua vez, alimentam peixes e criaturas maiores.
O fitoplâncton forma a base da cadeia alimentar marinha, e as mudanças climáticas estão abalando essa base.
O fitoplâncton no mar aberto parece estar diminuindo. No início dos anos 2000, os cientistas detectaram que enormes zonas oceânicas com menos nutrientes e fitoplâncton mais escasso, conhecidas como desertos oceânicos, estão se expandindo.
Ao mesmo tempo, as florações costeiras de fitoplâncton, especialmente em latitudes mais altas, cresceram e se tornaram mais frequentes, de acordo com um estudo de 2023. As temperaturas mais quentes da superfície do mar estão estimulando seu crescimento, afirmam os pesquisadores. Essas florações também estão ocorrendo mais cedo no ano, prejudicando a pesca costeira e os meios de subsistência das pessoas.
E, embora a vida marinha dependa do fitoplâncton, às vezes ele pode criar florações nocivas. Entender quais são os tipos de fitoplâncton pode ajudar os residentes costeiros a se protegerem.
Algumas florações de fitoplâncton crescem tanto e tão rapidamente que, quando se decompõem, esgotam o oxigênio na água circundante, criando "zonas mortas" onde nada mais pode viver. E alguns fitoplânctons produzem toxinas que podem adoecer e matar peixes, pássaros e mamíferos, incluindo humanos.
Os pesquisadores estimam, de forma conservadora, que as florações nocivas custam à economia dos EUA cerca de US$ 50 milhões por ano, relacionados a danos a saúde pública, pesca e recreação costeira.
No inverno de 2021, milhões de ostras na costa da Paróquia de Plaquemines, na Louisiana, morreram repentinamente, causando um grande prejuízo aos pescadores locais. A investigação revelou que fitoplâncton tóxico havia florescido após uma tempestade, de acordo com Bingqing Liu, oceanógrafa e professora-assistente na Universidade da Louisiana, em Lafayette.
Liu faz parte do grupo pioneiro do PACE, trabalhando na incorporação dos dados do satélite em um modelo que pode simular cenários futuros. Se as pessoas puderem notar as florações tóxicas chegando, podem tentar mitigar as perdas econômicas e ambientais, disse ela.
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