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Cães ajudam a reflorestar reserva natural na Inglaterra

06/08/2024

Os cães são companheiros incríveis e por isso ganharam a fama de serem “os melhores amigos do homem”. Essa parceria pode ajudar a humanidade em um dos seus grandes desafios: reflorestar áreas degradadas. É isso que está acontecendo em uma reserva natural urbana localizada em Lewes, East Sussex, na Inglaterra. Os cachorros foram cocados a desempenhar a função dos lobos, extintos em 1760 por lá, e espalhar sementes pelo local.
A ideia do projeto, coordenado pelo Railway Land Wildlife Trust e financiado pela Ouse Valley Climate Action , aproveita do hábito que muitos cães têm de correr e passear pela floresta. Com a participação de passeadores ou tutores destes animais, uma mochila com sementes nativas e areia é presa no dorso dos cães que vão deixando as futuras mudas pelo caminho da sua caminhada.
O projeto foi inspirado em uma iniciativa similar realizada no Chile, em 2019, quando duas mulheres decidiram usar seus três cães para replantar áreas danificadas por incêndios florestais. “Para replicar o efeito que esses animais têm no ecossistema, buscamos utilizar o vasto número de passeadores de cães que visitam a reserva natural diariamente”, explica Dylan Walker, o gerente do projeto na Inglaterra.
Antes de serem extintos do Reino Unido, os lobos eram importantes dispersores de sementes que ajudavam a manter vivos os ecossistemas locais. Seus pelos longos ficavam cheios de sementes de flores silvestres que viajavam com eles por vários quilômetros até caírem no solo e se tornarem novas mudas. Esse mecanismo natural de dispersão era essencial para a biodiversidade e a saúde ambiental.
“Estamos realmente interessados ​​em processos de reintrodução da vida selvagem, mas eles geralmente envolvem a reintrodução de grandes herbívoros, como bisões ou cavalos selvagens. Em uma reserva natural urbana menor, é muito difícil fazer essas coisas”, conta Dylan.
Por isso, a ideia de usar os cães domésticos, “primos distantes” dos lobos, faz sentido para o cenário de Lewswe, uma reserva natural devastada, mas que ainda atrai muitos cachorros que gostam de passear livremente.
O projeto do Railway Land Wildlife Trust é pioneiro em usar cães domésticos para o reflorestamento no Reino Unido. O procedimento é simples, mas eficaz: os cães recebem pequenas mochilas cheias de sementes e areia que são liberadas durante o passeio por pequenos furos. “Nós misturamos as sementes com areia não apenas para ajudar as sementes a irem mais longe, mas para nos permitir rastrear onde os cães estão depositando as sementes”, explicou Dylan.
Essa estratégia tira vantagem da curiosidade e atividade inatas dos cães, permitindo que as sementes alcancem locais onde a maioria dos humanos não vai. O padrão de distribuição mais abrangente dos caninos torna as sementes espalhadas mais propensas a germinar e sobreviver.
Para ter sucesso, o projeto dependia do envolvimento da comunidade local, que se engajou com entusiasmo. “Eu me inscrevi porque parecia uma boa opção. Pediram para eu colocar um arreio no meu cocker spaniel chamado Bertie e ele correu por aí espalhando sementes como os lobos costumavam fazer muitos anos atrás”, conta orgulhosa a participante Cressida Murray.
Os primeiros resultados parecem bons. “Já começamos a ver a germinação de sementes em algumas áreas”, relatou o gerente do projeto. “A maioria das sementes que foram distribuídas pelos cães são perenes, levam alguns anos para se estabelecer e florescer, então, esperançosamente, no ano que vem veremos alguns resultados mais claros.”
Além de restaurar a biodiversidade local, a iniciativa é uma ferramenta educacional, estabelecendo um vínculo mais forte entre a comunidade e o meio ambiente. O objetivo é que, com a continuidade do projeto e os seus resultados, a natural urbana de Lewes evolua para um ecossistema saudável, rico em diferentes espécies de plantas, devido aos esforços de seus dispersores de sementes de quatro patas. Um belo exemplo de como é possível envolver a humanidade e outras espécies em ações para regenerar nosso planeta.

Fonte: CicloVivo

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