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Biólogos da Uerj identificam branqueamento de corais na Baía da Ilha Grande

18/07/2024

Um monitoramento de corais realizado por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) observou o branqueamento de cerca de 80% da população da espécie mussismilia hispida, na Baía da Ilha Grande. O levantamento ocorreu entre março e abril de 2024. Como não há registro de lançamento de produtos químicos na água, a hipótese é que o aumento da temperatura seja a causa do fenômeno.
O branqueamento ocorre após a perda das zooxantelas, microalgas que cobrem os corais e são responsáveis por sua coloração alaranjada. Esses seres vivem em simbiose, pois os corais aproveitam a matéria orgânica resultante da fotossíntese das microalgas. Quando há estresse devido ao aumento de temperatura no ambiente ou à poluição, há um desequilíbrio na simbiose. Isto provoca a expulsão das zooxantelas e deixa a estrutura calcária dos corais exposta. Sem os nutrientes, eles morrem.
O trabalho de monitoramento é realizado de forma contínua por integrantes do Grupo de Pesquisa em Ecologia e Dinâmica Bêntica Marinha, da Faculdade de Formação de Professores (FFP), da Uerj. Para o professor Luis Felipe Skinner, coordenador do grupo, um dos fatores que favorecem a elevação de temperatura na Baía da Ilha Grande são suas características geográficas, com o confinamento das águas.
“Tivemos o El Niño e as ondas de calor com uma alta intensidade solar no período, que aquecem principalmente as águas superficiais. Como a baía é rasa, ela aquece com muito mais facilidade e rapidez”, explica.
Para monitorar os corais, os pesquisadores utilizam técnicas de mergulho para observação, anotações e fotografias que depois são analisadas em laboratório. A partir de uma escala de cores e do registro de outras características físicas dos corais, eles conseguem verificar não só o branqueamento, mas também a velocidade de crescimento, distribuição da população, crescimento de algas em tecidos mortos.
“Se você perde os corais, os animais que se alimentavam deles ou os utilizavam como refúgio também deixam de existir. Isso provoca a perda da cadeia trófica”, alerta o professor. Skinner ressalta ainda que além do desequilíbrio ecológico, a morte dos corais também pode afetar a economia local com a diminuição de espécies pesqueiras para a população como lagostas, polvos e peixes, além da diminuição do interesse turístico pelo mergulho.

Fonte: Jornal Atual

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