
16/07/2024
Uma espécie rara de cacto arbóreo foi extinta no estado americano da Flórida devido ao aumento do nível do mar. Segundo pesquisadores, esse é o primeiro caso de desaparecimento de uma espécie por essa causa nos Estados Unidos.
O cacto arbóreo de Cayo Largo (Pilosocereus millspaughii) estava limitado a uma pequena área dos Cayos da Flórida, um arquipélago no extremo sul do estado. Descoberto pela primeira vez em 1992, foi monitorado de forma intermitente desde então.
A intrusão de água salgada na região, causada pelo aumento do nível do mar, a erosão do solo devido a tempestades e marés altas, além de seu consumo por mamíferos herbívoros, exerceram uma pressão significativa sobre a última população da espécie.
"Infelizmente, o cacto arbóreo de Cayo Largo pode ser um indicador de como outras plantas costeiras baixas responderão às mudanças climáticas", disse Jennifer Possley, diretora de conservação regional do Jardim Botânico Tropical Fairchild.
A mudança climática causada pelas atividades humanas faz com que camadas de gelo em montanhas e geleiras derretam, elevando assim o nível dos oceanos. Além disso, o aquecimento global provoca o aumento da temperatura marítima e, com isso, a água se expande.
Possley é a autora principal de um estudo publicado na terça-feira (9) no Journal of the Botanical Research Institute of Texas documentando o declínio dessa espécie.
Em 2021, um grupo com aproximadamente 150 caules de um bosque de manguezais isolado foi drasticamente reduzido, restando apenas seis frágeis exemplares da planta. Com dificuldades de sobrevivência, especialistas as realocaram para cultivo em outro local na tentativa de garantir sua continuidade.
Os cactos arbóreos de Cayo Largo ainda crescem de forma restrita em algumas ilhas dispersas do Caribe, incluindo o norte de Cuba e partes das Bahamas.
Essas plantas podem atingir mais de seis metros de altura e apresentam flores de cor bege com aroma de alho que brilham à luz da lua, atraindo morcegos polinizadores. Seus frutos de cores vivas, vermelho e roxo, também são muito atraentes para aves e mamíferos.
Segundo os especialistas do painel sobre mudanças climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), o nível do mar aumentou de 15 cm a 25 cm entre 1900 e 2018. E um aumento de 43 cm é esperado para 2100, caso o planeta chegue uma elevação de 2°C de temperatura em comparação à era pré-industrial (1850-1900).
Além disso, a elevação poderia chegar a 84 cm se o planeta aquecer 3°C ou 4°C até o fim do século.
O aumento do nível dos mares, além de submergir determinadas áreas, vem acompanhado de um aumento de tempestades e inundações nas regiões costeiras.
O fenômeno também pode causar, entre outras consequências, mais extinções de espécies endêmicas a essas regiões e migrações em massa.
Segundo a Nasa (Agência Especial Norte Americana) o nível médio global do mar subiu cerca de 0,76 cm entre 2022 e 2023, quase quatro vezes mais do que entre 2021 e 2022. O órgão atribuiu o "salto significativo" ao fenômeno do El Niño e a um clima mais quente.
Fonte: Folha de S. Paulo
Copa de 2026 pode ser a mais poluente da história, com 7,8 milhões de toneladas de CO₂
25/06/2026
Guterres propõe 7 passos para enfrentar as “duas crises” globais
25/06/2026
40 mortos por afogamento na França: o que é o ´domo de calor´ que está causando temperaturas extremas na Europa
25/06/2026
Painéis solares prometem ampliar geração de energia em ferrovias
25/06/2026
Asteroide passará perto da Terra na próxima semana e poderá ser visto por telescópios
25/06/2026
França tem dia mais quente desde 1947, e Torre Eiffel e Louvre fecham mais cedo devido ao calor
25/06/2026
