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Como animais selvagens reagem à elevação das temperaturas

16/07/2024

Macacos bugios desidratados caindo das árvores no México. Bilhões de mexilhões, ostras e cracas fervendo nas costas do Canadá. Centenas de pinguins-de-magalhães mortos na Argentina em um único dia.
Esses casos, ocorridos nos últimos anos, têm um elemento em comum: foram provocados pelo calor extremo.
As temperaturas em todo o mundo estão subindo à medida que os países emitem cada vez mais gases de efeito estufa —2023 foi o ano mais quente já registrado. E a mudança climática só está tornando as ondas de calor mais comuns e extremas.
A maneira como esse fenômeno afeta a vida selvagem depende de vários fatores: a geografia, se é um calor crônico ou ondas de calor isoladas e, é claro, que animais são afetados.
Nos casos mais extremos, o calor pode causar mortes em massa. "Isso acontece principalmente em áreas já quentes e secas, onde os animais não suportam muito aquecimento adicional", disse Andreas Nord, ecologista da Universidade de Lund, na Suécia.
"A Austrália é um ótimo exemplo. Lá, estamos falando de efeitos de proporções bíblicas. Assim, pássaros e raposas voadoras literalmente caem mortos do céu."
Mesmo que o calor não mate a vida selvagem, ele pode mudar seu comportamento de forma a influenciar o tamanho da população.
Há uma maneira mais insidiosa de morrer, que não deixa corpos, diz Eric Ridell, ecologista da Universidade da Carolina do Norte em Chapell Hill, nos Estados Unidos.
"Talvez porque estejam mais desidratados ou não consigam ser ativos o suficiente porque está muito quente, eles não se reproduzem naquele ano", disse ele. "Portanto, os animais ainda sobrevivem, mas não estão criando filhotes."
Um estudo de 2023 descobriu que os besouros-enterradores tinham menos probabilidade de se reproduzir com sucesso quando uma onda de calor ocorria durante o acasalamento.
Quando os animais mudam a maneira como agem para se resfriarem ou se aquecerem, os cientistas chamam isso de comportamento de regulação térmica. Durante as ondas de calor, isso pode incluir ficar na sombra, entrar na água ou descansar mais.
Uma das maneiras pelas quais os coalas na Austrália lidam com o calor extremo é abraçar troncos de árvores frias, por exemplo. Há vídeos que mostram ursos na Califórnia mergulhando em piscinas quando as temperaturas sobem.
No entanto, não está claro até que ponto os animais podem mudar seu comportamento para acompanhar um planeta em constante aquecimento.
"Não sabemos realmente se daqui a cem, mil ou dez mil gerações os animais estarão mais adaptados ao calor ou mais tolerantes a essas flutuações extremas de temperatura que estamos observando", disse Nord. "Mas isso não parece bom. Parece que muitos animais já estão vivendo no limite do que seus sistemas fisiológicos podem tolerar."
Outra questão em aberto é quais espécies são as mais suscetíveis ao aumento das temperaturas. Embora muitos grupos estejam sofrendo, os cientistas observaram que as aves costumam ser especialmente vulneráveis.
"Elas têm, comparativamente falando, maneiras relativamente ruins de resfriar seus corpos. As aves não têm glândulas sudoríparas. Isso é muito ruim quando faz muito calor", disse Nord.
Isso também é algo que Riddell observou em um estudo de 2021 de sua autoria. A pesquisa analisou um conjunto de dados de cem anos de pequenos mamíferos e aves encontrados no deserto de Mojave, na Califórnia.
Embora as duas comunidades vivessem no mesmo ecossistema, comendo os mesmos alimentos e bebendo a mesma água, elas tiveram respostas diferentes ao aumento das temperaturas.
As comunidades de mamíferos permaneceram estáveis durante todo o século. Enquanto isso, o número de espécies de pássaros no deserto caiu 43%.
Não se sabe ao certo se os pássaros migraram para outros ambientes ou se morreram. Mas está claro que esses animais ficam em desvantagem quando as temperaturas aumentam.
"Os mamíferos vivem em grande parte no subsolo, são em sua maioria noturnos, e as aves são em sua maioria diurnas, vivem acima do solo. Elas estão expostas ao sol, que realmente as aquece", disse Riddell. "Essas diferenças desempenharam um papel muito importante nas respostas às mudanças climáticas nos últimos cem anos."

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