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O crescente impacto ambiental dos cruzeiros marítimos, que vão bater recorde em 2024

09/07/2024

Em janeiro, o maior navio de cruzeiro do mundo saiu do porto de Miami, nos Estados Unidos, para sua viagem inaugural de sete dias.
A construção do Icon of the Seas custou à empresa Royal Caribbean US$ 2 bilhões (cerca de R$ 11,4 bilhões). Ele tem 18 deques, sete piscinas e mais de 40 restaurantes, bares e lounges.
mais longo que o Titanic.
O navio é movido a GNL (gás natural liquefeito), descrito pela Royal Caribbean como o "combustível marítimo de queima mais limpa existente".
Mas os ativistas ambientais afirmam que o GNL é prejudicial ao clima por lançar metano poluente na atmosfera —um gás cerca de 80 vezes mais potente que o dióxido de carbono (CO2), ao longo de um período de 20 anos.
O impacto dessa indústria deverá crescer, à medida que os cruzeiros se multiplicam.
As vendas de passagens para navios de cruzeiro em 2024 atingiram níveis recordes. As projeções indicam que, até o final deste ano, 360 navios de cruzeiro terão transportado 30 milhões de passageiros, um aumento de 9,2% em relação a 2019, antes da pandemia.
"O problema é que o número de navios de cruzeiro continua aumentando e o tamanho desses navios, também", afirma a ativista do setor de transporte marítimo Constance Dijkstra, da ONG Transport & Environment. Ela destaca que estes aumentos irão aumentar a poluição do ar e dos oceanos.
Muitas companhias de cruzeiros começaram a divulgar suas "credenciais verdes". Mas Dijkstra e outros ativistas defendem que poucas empresas estão reduzindo sua pegada ambiental com a rapidez necessária.
Um grande navio de cruzeiro pode consumir até 304.593 litros de combustível por dia, segundo uma análise da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos.
Os combustíveis marítimos são variantes dos combustíveis fósseis geradores de emissões e, por isso, têm alta pegada de carbono.
Os cruzeiros também geram consumo particularmente intensivo de carbono, em comparação com muitos outros tipos de viagens de férias.
A emissão média de CO2 por passageiro de um cruzeiro em torno de Seattle, nos Estados Unidos, é oito vezes maior do que a de um turista que passa suas férias na mesma cidade, em terra, segundo uma análise da ONG Amigos da Terra.
E o CO2 que aquece a atmosfera do planeta não é o único problema causado pelos cruzeiros.
Os 218 navios de cruzeiro que operaram na Europa em 2022 emitiram mais óxidos de enxofre (SOx) do que um bilhão de automóveis —ou 4,4 vezes mais do que todos os carros do continente, segundo outra análise, da Transport & Environment.
O SOx pode prejudicar as árvores, reduzindo seu crescimento. Ele também contribui com a chuva ácida, que pode perturbar ecossistemas sensíveis. E a exposição ao poluente também pode afetar o sistema respiratório humano, causando problemas de respiração.
"Continuamos a advertir as pessoas: se você se preocupa com o meio ambiente, talvez seja melhor pensar em outro tipo de férias", alerta a diretora do programa de oceanos e navios da Amigos da Terra, Marcie Keever.
Mas será que os navios de cruzeiro são piores que os aviões?

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