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Governo brasileiro institui Estratégia Nacional de Economia Circular

04/07/2024

Na quinta-feira, 27 de junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que institui a Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC) e tem como objetivo promover a transição econômica do atual modelo linear para uma lógica circular.
“A assinatura do decreto que institui a Estratégia Nacional de Economia Circular para o Brasil demonstra um compromisso do governo em direcionar o país a um desenvolvimento capaz de enfrentar as principais crises ambientais, como as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a poluição”, afirma Luisa Santiago, diretora executiva para a América Latina na Fundação Ellen MacArthur, organização especialista líder em economia circular.
A Estratégia Nacional de Economia Circular Pautada é pautada nos três pilares da economia circular: não geração de resíduos e poluição; circulação de materiais e produtos em seus mais altos valores; e regeneração da natureza. “A estratégia traz uma visão completa do potencial da economia circular, muito além da reciclagem, com foco nas importantes agendas de design circular e de regeneração produtiva da natureza, aspectos cruciais para destravar o crescimento econômico mais acelerado dos setores e modelos de negócios alinhados a uma economia circular”, complementa Luisa.
A implantação da ENEC vai ter cinco eixos estratégicos:

1. Criar um ambiente normativo e institucional favorável à economia circular;
2. Fomentar a inovação, a cultura, a educação e a geração de competências para reduzir, reutilizar e promover o redesenho circular da produção;
3. Reduzir a utilização de recursos e a geração de resíduos, de modo a preservar o valor dos materiais;
4. Propor instrumentos financeiros de auxílio à economia circular;
5. Promover a articulação interfederativa e o envolvimento de trabalhadoras e trabalhadores da economia circular.

O lançamento da ENEC era muito aguardado e é motivo de celebração, já que abre um caminho para um desenvolvimento econômico de baixo carbono e duradouro para o país.
A Estratégia publicada apresenta como diferenciais o conceito de redesenho circular da produção, ou seja, nas formas pelas quais as organizações planejam, concebem e desenvolvem produtos e serviços para eliminar resíduos e poluição, manter produtos e materiais na economia e regenerar a natureza; e de transição justa, objetivando não reproduzir as desigualdades sociais do atual modelo linear da economia na transição para o modelo de economia circular.
“Outro ponto importante da estratégia é a ênfase em uma transição justa, que reconheça a relevância e necessidade de políticas que garantam que os muitos trabalhadores da economia circular sejam efetivamente incluídos nos mercados da remanufatura, reuso, manutenção e reciclagem, bem como dos trabalhadores do campo e dos ecossistemas naturais que operam cadeias relevantes para a saúde dos sistemas naturais”, explica a executiva da Fundação Ellen MacArthur.
A ENEC também propõe ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços o desenvolvimento de um Fórum Nacional de Economia Circular, com a finalidade de assessorar, monitorar e avaliar a implementação da ENEC no território nacional.
Santiago acrescenta que uma economia circular, viabilizada pela revolução tecnológica, permite crescer a produtividade dos recursos em 3% anualmente. “Na União Europeia, por exemplo, já sabemos que a economia circular tem potencial para gerar benefícios totais de 1,8 trilhões de euros até 2030. Isto se traduziria num aumento do PIB de até 7 pontos percentuais em relação ao cenário de desenvolvimento atual, com impactos positivos adicionais no emprego”.

O conceito de economia circular surgiu para se contrapor ao modelo econômico atual que funciona em uma lógica linear, baseado em extrair recursos naturais, transformá-los em produtos e materiais e descartá-los depois de um curto período de uso. Essa lógica de produção e consumo tem sido responsável pelos maiores problemas ambientais que temos, como mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição.
A economia circular, portanto, propõe um redesenho dos produtos e modelos de negócio que contemplem os seus três princípios fundamentais: eliminar resíduos e poluição, circular produtos e materiais e regenerar a natureza. Dessa forma, é capaz de gerar um sistema resiliente e positivo para as pessoas, as empresas, e o meio ambiente.
De acordo com o último relatório produzido pela Fundação Ellen MacArthur, na América Latina e no Caribe, por exemplo, são geradas 541 mil toneladas de lixo por dia – e a projeção é que esse número aumente em 25% até 2050, com base no modelo atual.
Além disso, a região contribui com cerca de 10% das emissões globais de GEE e já vem registrando um declínio de 94% em sua biodiversidade, um número muito maior do que em qualquer outra região observada no mundo desde 1975. Embora grande parte dos esforços da luta climática ainda estejam em torno da transição energética, ela só fará frente a 55% das emissões. Os outros 45%, cruciais para o cumprimento do Acordo de Paris, somente serão resolvidos com a transição para uma economia circular.
“O lançamento da ENEC é um passo importante e, daqui para frente, será fundamental que o governo crie planos de longo prazo específicos aos setores da economia, com metas claras, para que a transição para uma economia circular ocorra de forma efetiva e justa”, finaliza Luisa Santiago.

Fonte: CicloVivo

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