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Com três biomas em chamas, MT é o estado que mais queimou em 2024, aponta Inpe

27/06/2024

Pantanal, Amazônia e Cerrado, os três biomas presentes no Mato Grosso, registram uma disparada nos alertas de focos de calor. Somente nos últimos 24 dias, as três regiões somaram mais de 2,1 mil focos no estado, uma alta de 40% se comparado com o mesmo período de maio deste ano, quando foram contabilizados 1,5 mil focos.
Os cinco estados com maior número de focos de calor no Brasil, de janeiro até esta segunda-feira (24), são:

Mato Grosso - 8.249 focos
Roraima - 4.627 focos
Mato Grosso do Sul - 3.853 focos
Tocantins - 3.226
Maranhão - 2.176

Se comparado com o mesmo período do ano passado (quando foram 5,3 mil focos), o aumento é de 53% em Mato Grosso. O estado enfrenta uma seca severa, segundo especialistas.
A Amazônia registra o maior número de focos (1.205), seguido do Cerrado (593) e Pantanal (324). Especialistas do Instituto S.O.S Pantanal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) e da WWF Brasil explicaram as principais razões das queimadas em cada bioma.

🌳AMAZÔNIA: Desmatamento
🍂CERRADO: Seca e expansão das áreas utilizadas para a agropecuária
⛺PANTANAL: Seca severa e queimas em propriedades particulares

Com o alto índice de queimadas, Mato Grosso teve, de janeiro até agora, mais de 607,8 mil hectares de área atingida, segundo uma análise feita pelo Instituto Centro de Vida (ICV) com base nas pesquisas da Administração Nacional dos Estados Unidos de Aeronáutica e Espaço (Nasa). A Amazônia (302.324) foi o bioma mais devastado. No ranking, o Cerrado (205.021) ficou em segundo lugar e o Pantanal (100.462) em terceiro.
Ao g1, o biólogo e diretor de comunicação do Instituto S.O.S Pantanal, Gustavo Figueirôa, explicou que os impactos dos incêndios nesses três biomas são diferentes por causa das características predominantes em cada um mas, quando todos enfrentam focos de calor em grande escala, apresentam certas semelhanças.
“A Amazônia não está acostumada com incêndios. Já o Pantanal e o Cerrado são biomas adaptados ao fogo, especialmente o Cerrado, que evoluiu ao longo dos últimos milhões de anos com a presença do fogo. No entanto, não nessa intensidade e frequência que estamos vendo agora. O mesmo vale para o Pantanal, que tem muita influência do Cerrado, também convive com o fogo e atualmente enfrenta uma grande seca”, explicou.
Gustavo relatou que em contraste com outros biomas, a Amazônia enfrenta uma situação distinta em relação aos incêndios, que estão relacionados ao desmatamento. A região de floresta tropical não é propícia a incêndios naturais e a vegetação não é adaptada para lidar com o fogo.
“Na Amazônia, os incêndios estão diretamente ligados ao desmatamento. É uma floresta tropical que não pega fogo naturalmente. O que acontece é que grileiros desmatam áreas, vendem as madeiras nobres e queimam as árvores que não têm valor comercial para limpar o terreno. O fogo é uma novidade para a Amazônia, causada pela ação humana, e isso tem um impacto devastador na vegetação tropical que não está adaptada a essas condições”, ressaltou.
Segundo a WWF Brasil, o número de focos de incêndio na Amazônia é o maior valor registrado desde 2004. A instituição reforça que, apesar do bioma ter apresentado queda no desmatamento nos últimos dois anos, o fogo utilizado para “limpar” as áreas onde a floresta ou a savana foi derrubada continua potencializando a destruição da área.
Conforme o último boletim anual do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), a área desmatada na Amazônia foi de 9.064 km² entre agosto de 2022 e julho de 2023, uma queda de 21,8% do total da área desmatada em comparação ao relatório anterior, de agosto de 2021 a julho de 2022.
Já no Cerrado e no Pantanal, apesar da adaptação natural ao fogo, os biomas, enfrentam uma situação preocupante devido à alta frequência e intensidade dos incêndios.
No Cerrado, em Mato Grosso, houve um aumento de 85% em relação às queimas registradas no ano passado, o que representa mais de 20% do total de focos do bioma, logo após o Tocantins (26%). O especialista de Conservação do WWF-Brasil, Daniel Silva, pontuou que o aumento do fogo nessa área está relacionado à combinação entre as mudanças climáticas e o aumento da expansão das áreas utilizadas para a agropecuária.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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