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Exportação de animais vivos dissemina doenças, alertam especialistas

18/06/2024

O Dia Internacional Contra a Exportação de Animais Vivos, ocorre todos os anos em 14 de julho. Este ano, às vésperas da data, um artigo do The New York Times alerta para o papel crucial do transporte de animais vivos na disseminação de vírus de alta mortalidade com potencial pandêmico, incluindo a gripe aviária.
Especialistas universidades dos EUA, Inglaterra e China (Colorado State University, Harvard Law School, University College London e City University of Hong Kong) explicaram a conexão entre o transporte de animais vivos e o atual surto de H5N1 em bovinos dos EUA.
No Brasil, focos recentes da gripe aviária levaram o governo a prorrogar o estado de emergência por 180 dias em todo território nacional, com o objetivo de prevenir a contaminação de produções comerciais de larga escala. Desde o ano passado, já foram identificadas 164 ocorrências do vírus, sendo 161 em aves silvestres e 3 em animais criados para consumo — até o momento, apenas para subsistência.
A ONG internacional Sinergia Animal alerta para o risco da disseminação de doenças potencializada pelo transporte de animais vivos. “Esse processo frequentemente envolve o confinamento de uma grande quantidade de animais em espaços apertados e mal ventilados, criando as condições ideais para a transmissão de doenças. As práticas atuais da pecuária industrial comprometem o bem-estar dos animais e são um solo fértil para incubar e disseminar doenças”, diz Cristina Diniz, diretora nacional da ONG Sinergia Animal no Brasil.
Desde março, o surto da variante H5N1 de gripe aviária já foi confirmado em 51 fazendas de leite em 9 estados dos Estados Unidos, registrando ao menos um caso de um funcionário infectado pelo vírus. O início da propagação da doença entre as vacas remonta a um único caso de transmissão de aves selvagens para o gado no ano passado, no Texas.
Em um curto período, o vírus viajou longas distâncias, alcançando fazendas nos estados de Idaho, Carolina do Norte e Michigan, demonstrando a capacidade de disseminação do transporte de animais vivos.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o vírus H5N1 infectou mais de 800 pessoas entre 2003 e 2024, com uma taxa de mortalidade superior a 50%. E na última semana, a OMS confirmou a primeira morte humana pela variante H5N2 da gripe aviária no México, após surto em granja na fronteira com os Estados Unidos. “Precisamos urgentemente integrar a saúde animal à saúde humana, se queremos reduzir a disseminação de patógenos perigosos como a gripe aviária. Por ser extremamente desafiador lidar com esses surtos, devemos focar em preveni-los antes que seja tarde”, alerta Diniz.
Um dos agravantes é que os estabelecimentos de pecuária industrial tendem a ser especializados — cada local foca em um estágio específico da produção, como reprodução ou engorda, antes de enviar os animais para a etapa seguinte. Essa especialização exige uma ampla movimentação de milhões de animais, aumentando o risco de disseminação de doenças.
Em um estudo conduzido pela USDA, pesquisadores descobriram que 12% dos frangos abatidos em fazendas eram portadores de bactérias Campylobacter, uma fonte comum de doenças ligadas à alimentação. Surpreendentemente, após o transporte, esse número disparou para 56%.
“Consumidores deveriam se preocupar com a forma como os animais são criados e transportados — não apenas por serem seres sencientes e capazes de sofrer, mas porque o seu bem-estar e a sua saúde impactam a nossa segurança. Muitos patógenos da pecuária, como a gripe aviária, são ‘zoonóticos’, o que significa que podem ser transferidos de animais para humanos. Surtos prolongados e de grande dimensão na pecuária aumentam a probabilidade de exposição humana a animais infectados ou a alimentos contaminados, aumentando as chances dessas doenças evoluírem”, explica Diniz.
Vários relatórios indicam que o transporte impõe um grande impacto físico nos animais. O sistema imunológico de bovinos frequentemente acaba comprometido, tornando-os mais suscetíveis à Doença Respiratória Bovina (DRB), conhecida popularmente como “febre do transporte”. Já os porcos são um caso especialmente preocupante, pois podem ser infectados simultaneamente por diversos tipos de gripe — o que permite que diferentes cepas troquem material genético e criem novos vírus.

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