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Mudanças climáticas ameaçam recuperação da ararinha-azul, estrela dos filmes de animação ´Rio´

04/06/2024

Todas as ararinhas-azuis são majestosamente azuis sob o sol escaldante do Nordeste do Brasil, mas cada ave é distinta de Candice e Cromwell Purchase. À medida que os papagaios passam grasnando por sua casa, o casal consegue identificar facilmente o pássaro número 17 por suas penas lisas e consegue distinguir o número 16 do número 22, que tem duas contas presas à coleira do rádio.
Esta familiaridade oferece um vislumbre do compromisso do casal sul-africano em salvar uma das espécies mais ameaçadas do mundo.
O papagaio – endêmico de uma pequena região da bacia do Rio São Francisco e já raro no século XIX – foi declarado extinto na natureza em 2000, quando um macho sobrevivente solitário desapareceu após décadas de caça furtiva e destruição do habitat devido ao pastoreio excessivo do gado. As poucas aves restantes foram espalhadas em coleções particulares ao redor do mundo.
Para as ararinhas-azuis, imortalizadas nos populares filmes de animação “Rio”, o caminho de regresso à beira da extinção tem sido longo, tortuoso e acidentado.
As ameaças que devastaram as ararinhas-azuis ainda pairam, e as aves enfrentam agora outra ameaça: as alterações climáticas. O território original da espécie se sobrepõe ao que foi recentemente designado oficialmente como a primeira região de clima árido do Brasil.
As condições mais secas preocupam Cromwell Purchase devido ao seu impacto potencial no habitat das poucas araras-azuis sobreviventes.
“Uma área seca só chove durante um período muito curto do ano. Uma seca nesse período pode durar um ano inteiro antes da próxima chuva”, disse Purchase, um homem alto e magro de 46 anos.
“Os animais estão adaptados a ambientes adversos, mas estão no limite. Qualquer pequeno incremento de mudança dizimará as populações."
👉Em novembro, dois institutos de pesquisa federais divulgaram um estudo sobre a perda de água das chuvas nas plantas e no solo entre 1960 e 2020. Ele mostrou que o norte do estado da Bahia, incluindo Curaçá, onde as araras-azuis estão tentando sobreviver, é agora consistente com uma área desértica. Identificou também a expansão do clima semiárido no Nordeste, onde vivem cerca de 55 milhões de pessoas.
“Se o planeta estiver mais quente, haverá uma evaporação muito maior. Então, a água sai do meio ambiente e gera aridez”, disse o diretor dos esforços anti-desertificação do Brasil, Alexandre Pires, à Associated Press.
Desde 2005, a área semiárida no Brasil se expandiu em 300 mil quilômetros quadrados e agora tem aproximadamente o tamanho de três estados da Califórnia. O governo deverá anunciar medidas para evitar a desertificação, promovendo uma melhor gestão do solo e de outros recursos naturais na região.
Diante das mudanças climáticas e dos inúmeros desafios, os Purchases dedicaram a maior parte de suas vidas adultas à criação de ararinhas-azuis e à reintrodução delas na natureza. A viagem levou primeiro os biólogos a trabalhar com uma coleção particular num oásis no Qatar. Quando as aves foram transferidas para uma organização sem fins lucrativos, o casal mudou-se com elas para a Alemanha.

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