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Pouquíssimas espécies de árvores dominam metade das florestas tropicais, conhecidas por sua biodiversidade

11/01/2024

Cientistas descobriram que um percentual relativamente pequeno de espécies constitui metade das árvores nas grandes florestas tropicais do mundo, entre elas a amazônia. Cerca de 50% dessas selvas é ocupada por aproximadamente 2,2% das espécies achadas nessas matas. E os pesquisadores não pararam por aí e deram nomes às árvores.
Estima-se que somente 1.053 espécies compõem metade dos 800 bilhões de árvores tropicais com troncos com diâmetro de pelo menos 10 cm. Na outra metade estão 46 mil espécies. Os dados foram publicados na revista Nature, nesta quarta-feira (10).
Os pesquisadores também estimam um número extremo de espécies raras: as 39,5 mil espécies mais incomuns respondem por 10% das árvores existentes nas grandes florestas tropicais.
Outro ponto que chama a atenção na pesquisa é a semelhança de padrões entre regiões distantes e independentes.
As florestas tropicais são associadas a uma enorme biodiversidade, não só de fauna, mas também da flora. O artigo da Nature busca dimensionar isso com um tipo de comparação que é frequentemente feita: é possível encontrar, em somente um hectare de floresta tropical, tantas espécies de árvores quanto em toda a flora nativa da Europa Ocidental.
Em meio a tamanha biodiversidade, logicamente, uma listagem ou compreensão total dessas florestas se torna uma possibilidade distante.
Exatamente por essa dificuldade, os autores da pesquisa publicada na Nature —colaboração de 356 cientistas liderados por pesquisadores da UCL (University College London)— se concentraram nas espécies mais comuns de árvores.
O estudo levou em conta dados de inventário de 1.003.805 espécies de árvores com tronco com, pelo menos, 10 cm de diâmetro, em 1.568 áreas de mata fechada, preservadas, com florestas maduras na amazônia, na África e no Sudeste Asiático.
A partir das bases de dados existentes, foi analisado o número de espécies chamadas hiperdominantes —uma definição autoexplicativa. Levando em conta um mesmo tamanho de amostra (77.587 árvores) para cada uma das três regiões, os pesquisadores observaram 77 espécies hiperdominantes na África, 174 na amazônia e 172 no Sudeste Asiático. Nas duas últimas regiões, o número total de espécies na amostra era consideravelmente maior: respectivamente, 2.565 e 2.585, contra 1.132 na África.
Com base nisso, os pesquisadores conseguiram fazer dois tipos de extrapolação. No primeiro, estimaram que 104, 299 e 278 espécies de árvores compõem 50% das matas tropicais da África, da amazônia e do Sudeste Asiático.
Vale mencionar, porém, que esses números são relativos a áreas consideravelmente diferentes; por exemplo, o universo amazônico, mostra a pesquisa, é de 344 bilhões de árvores em áreas de floresta fechada, enquanto o africano é de 113 bilhões.
Percentualmente, isso significa que, na África, 2,2% das espécies respondem por 50% de todas as árvores —sempre considerando aqui aquelas com troncos com, pelo menos, 10 cm de diâmetro; na amazônia, também 2,2%; e, no Sudeste Asiático, 2,3%.
A outra extrapolação que fizeram foi em relação a todas as áreas tropicais do mundo. Nesse caso, a hiperdominância ficaria em torno de 2,24%, o que os pesquisadores estimaram ser equivalente às cerca de 1.053 espécies citadas no início do texto.
Os pesquisadores ainda, com as bases de dados disponíveis, conseguiram ir em busca dos nomes, propriamente ditos, das espécies hiperdominantes.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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