
09/01/2024
Para a família de Sanaa Shah, o verão na Austrália é muito diferente do estilo de vida costeiro despretensioso retratado em guias de turismo. "Não temos uma praia próxima para onde ir", diz a jovem de 20 anos. "Não conseguimos escapar do calor."
🥵 Em vez disso, os dias sufocantes muitas vezes a deixam "trancada dentro de casa" com uma dor de cabeça incapacitante e provocam fortes sangramentos nasais na irmã mais nova dela.
A casa de Sanaa fica numa região no interior de Sydney, onde as temperaturas podem registrar 10 ºC a mais do que nos bairros que ficam à beira-mar — resultado da geografia da cidade, onde faltam espaços verdes e abundam superfícies que retêm o calor.
Essa região específica — o oeste de Sydney — tem uma das populações urbanas de crescimento mais rápido do país, bem como taxas de pobreza crescentes.
🌡️ E os dados meteorológicos mostram que os termômetros já ultrapassam os 35 ºC em pelo menos um de cada 10 dias de verão.
O calor é conhecido como o "assassino silencioso" da Austrália porque é mais mortal do que todos os outros desastres naturais combinados.
🚨 O problema é que o fenômeno não deixa evidências claras sobre o tamanho de seu impacto.
Isso porque esse impacto não é sentido de forma igual. Mais de 60% das mortes relacionadas às altas temperaturas ocorrem em comunidades desfavorecidas como a de Shah, de acordo com uma empresa especializada em modelos climáticos.
Agora, os especialistas dizem que, sem a intervenção do governo, a "desigualdade social" desempenhará um papel decisivo na sobrevivência às temperaturas cada vez mais escaldantes da Austrália.
A Austrália define uma onda de calor como três ou mais dias consecutivos de temperaturas diurnas e noturnas excepcionalmente altas.
É em meio a essas condições mais quentes que o corpo pode ter dificuldade para se resfriar, o que provoca uma série de problemas, incluindo a insolação, que pode provocar falência múltipla de órgãos se não for revertida a tempo.
Pessoas idosas ou com problemas médicos crônicos correm maior risco — mas qualquer pessoa que não consiga se resfriar pode correr risco de morte.
Segundo dados oficiais, o calor matou quase 300 australianos na última década, com 7 mil necessitando hospitalização.
Mas um estudo da Universidade Nacional da Austrália mostra que há subnotificação nesses números, porque as certidões de óbito não registram informações detalhadas sobre a causa da morte.
Seguindo critérios mais específicos e detalhados, o levantamento estimou que o calor contribuiu para 36 mil mortes na Austrália entre 2006 e 2017.
🔥🔥🔥 Grande parte do perigo está relacionada ao que cientistas chamam de "ilhas de calor urbanas".
O termo descreve as áreas construídas que são cobertas por materiais que amplificam o calor, como o concreto, o asfalto e as fileiras de casas com telhados escuros, que atraem o sol e aumentam a temperatura em seu interior.
O oeste de Sydney — onde vivem 2,5 milhões de australianos — é um exemplo desse fenômeno.
Localizado no sopé das Montanhas Azuis, a região fica protegida das brisas refrescantes que vêm do litoral.
Muitos moradores vivem em edifícios com isolamento inadequado e sentem as pressões do aumento no custo de vida.
Shah diz que o verão pode ser "solitário", já que muitos indivíduos da comunidade são forçados a "se abrigar em ambientes fechados" ou ficam praticamente dependentes dos aparelhos de ar condicionado.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
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