UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
´Blob´: a extraordinária criatura que nos obriga a questionar se somos a espécie mais inteligente

06/09/2022

Que tal começarmos com um teste rápido.
Você está perdido em uma enorme loja que parece um labirinto e não sabe como sair dela. A quem você pede ajuda?
Pergunta 2: Você está redigindo um documento de política para assessorar o governo dos Estados Unidos sobre como governar suas fronteiras nacionais. Onde você procura conselhos?
Última pergunta: Você precisa desenhar um mapa da teia cósmica, como você faz isso?
Existem, é claro, várias respostas para essas perguntas, mas em todos os casos você poderia ser inspirado por um organismo: o bolor limoso, que também pode ser conhecido por muitos nomes diferentes.
Sendo cientificamente preciso ele não é exatamente um bolor... mas pelo menos uma de suas espécies é extraordinária.
"O bolor é uma divisão do mundo dos fungos, mas o bolor limoso é na verdade um protista (não é um animal, planta ou fungo) - é essencialmente uma célula gigante", diz o biólogo Merlin Sheldrake, autor do livro Entangled Life, que aborda o tema.
O bolor limoso é um plasmódio, ou seja, uma célula que contém muitos núcleos. Então, ao contrário da maioria dos organismos unicelulares, você não precisa de um microscópio para vê-lo.
E essa única célula é capaz de tecer vastas redes exploratórias feitas de tentáculos semelhantes a veias que podem se estender até um metro.
Existem cerca de 900 espécies de bolor limoso, mas vamos nos concentrar no Physarum Polycephalum, que literalmente quer dizer "bolor de várias cabeças". Ele também é conhecido como "blob" (referindo-se ao clássico filme de 1958 The Blob).
Por que os cientistas do mundo estão tão empolgados com essa espécie em particular?
"Ele se tornou um organismo emblemático de resolução de problemas. É fácil de cultivar e cresce rápido, o que é uma das razões pelas quais tem sido tão bem estudado", explica Sheldrake.
"Mas acima de tudo, seus comportamentos são extraordinários."
Ele pode fazer todos os tipos de coisas.
"Explorar, resolver problemas, adaptar-se a novas situações, tomar decisões entre cursos alternativos de ação - e tudo sem cérebro!"
"O Physarum é sensível ao gradiente químico, então pode crescer em direção a sinais químicos ou ficar longe dos pouco atraentes".
"Primeiro, ele tende a crescer em todas as direções ao mesmo tempo. E então, quando encontra comida, ele se retrai e forma as conexões entre suas fontes de alimento."
É um pouco como se você estivesse no deserto e precisasse procurar água. Você tem que escolher apenas uma direção para caminhar.
O Physarum Polycephalum pode "andar" em todas as direções ao mesmo tempo até encontrar alimentos; depois encolhe os ramos que não encontraram nada e fortalece os que encontraram, através de uma série de contrações químicas.
"Nunca deixa de me surpreender que eles possam usar essas contrações para fazer esse tipo de cálculo analógico, para integrar informações sem precisar de um cérebro. Que sua coordenação ocorra em todos os lugares ao mesmo tempo e em nenhum lugar em particular."
Tudo isso significa que o "blob" é capaz, em termos humanos, de resolver problemas, fazer redes, navegar em sistemas e labirintos com uma eficiência incrível.
Há um estudo japonês icônico de 2010, quando o Physarum traçou a rede ferroviária da Grande Tóquio, e para isso precisou somente de uma pequena placa de Petri e um punhado de aveia.
Segundo os estudos, o Physarum adora aveia, é a sua comida preferida.
"Então, eles modelaram a área da Grande Tóquio colocando copos de aveia nos centros urbanos e depois o lançaram. Ao longo de algumas horas, havia formado uma rede eficiente que conectava os copos de aveia, e essa rede parecia muito com a rede de metrô existente na área da Grande Tóquio", detalha o estudo.

Saiba mais no g1

Novidades

Férias de julho cheias de diversão e aprendizado: confira opções de colônias gratuitas e particulares em Niterói

09/07/2026

As férias de julho trazem uma variedade de colônias na cidade para atender famílias que precisam con...

Mudança climática pode eliminar até 34% das plantas usadas por povos da Amazônia, diz estudo

09/07/2026

A mudança climática pode provocar o desaparecimento local de até 34% das plantas usadas por povos in...

Com espaços fluidos, escola integra a natureza à aprendizagem

09/07/2026

Na era dos sons das notificações e das respostas rápidas ao alcance das mãos, proibir celulares nas ...

Novo estudo indica por que a Antártica congelou milhões de anos antes do Ártico

09/07/2026

A Antártica Oriental abriga o maior manto de gelo da Terra, com água suficiente para elevar o nível ...