
23/08/2022
Com um inverno e uma primavera extremamente secos e um verão com ondas de calor de temperaturas recordes, a Europa enfrenta hoje a pior seca dos últimos 500 anos. A estiagem já afeta a produção de energia, o acesso à água potável, produtos alimentícios de origem animal e colheitas, além do transporte de carga e da produção de energia.
Segundo especialistas, as mudanças climáticas favorecem ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas e, se as emissões continuarem como estão, os próximos verões podem ser ainda piores, com os custos da estiagem aumentando potencialmente até 65 bilhões de euros.
Segundo o Observatório Europeu da Seca da UE, 47% da União Europeia sob alerta de seca, com 17% em alerta vermelho. Um exemplo das consequências deste cenário á a expectativa de que as colheitas de de milho sejam as menores desde 2007, enquanto os preços da carne e dos laticínios seguem subindo em todo o continente.
Estes são os 9 meses mais secos desde 1976 e as ondas de calor estão quebrando recordes com temperaturas acima dos 40°C pela primeira vez, Além disso, as chuvas fortes em solo seco acabam causando inundações repentinas.
Com a seca, muitas áreas estão proibindo a irrigação, algumas pela primeira vez em 30 anos. Se as chuvas de inverno não forem acima da média este ano, o sudeste da Inglaterra será afetado por uma seca “severa” no ano que vem.
Espera-se que a produção de batatas, maças, cenouras e lúpulo fique na seja metade dos níveis normais no Reino Unido. A produção de milho supostamente resistente à seca está reduzida, o suprimento de leite também está abaixo do normal e os tubérculos estão com qualidade inferior.
O rio Reno atingiu níveis tão baixos que os barcos estão sendo obrigados a cancelar o transporte ou reduzir sua capacidade de carga em até 75%. Este é um problema enorme, pois o Reno é o rio mais importante da Alemanha para o transporte de carga e o transporte fluvial é mais econômico e mais amigável ao meio ambiente do que o transporte rodoviário ou ferroviário.
A crise no Reno pode atingir gravemente os países da Europa Central e Oriental sem litoral, pois eles dependem do Reno para transportar combustível. Enquanto isso, os economistas estimam que os impactos no corredor de navegação poderiamderrubar meio ponto percentual do crescimento econômico na Alemanha.
Além do Reno, outros rios enfrentam a mesma situação. O rio Elba também está em níveis baixos, sem barcaças de carga funcionando durante semanas.
No rio Oder, que corre entre a Alemanha e a Polônia, a morte em massa de peixes têm sido frequente. O fato pode ter sido causado por um derramamento químico que piorou as condições para os peixes que já enfrentaram temperaturas de água muito altas, níveis de água mais baixos, e níveis de oxigênio mais baixos devido à seca. Na Sérvia e na França alguns rios secaram totalmente, deixando peixes mortos no leito.
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