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Prometer queda no desmatamento ficou fácil, desafio é reverter patamar

16/08/2022

Um perigo remanesce depois que passamos pelo pior: o de nos acostumarmos. Ao longo do governo Bolsonaro, a Amazônia saltou para um novo patamar de devastação, que pode virar referência para a celebração de alívios nos números seguintes. No entanto, mais do que frear o novo ritmo de desmate, o país precisará revertê-lo, em pouquíssimo tempo.
O desmatamento saltou de uma média de 7.000 km² —mantida entre 2015 e 2018, em uma média simples dos dados do sistema Prodes, produzido pelo Inpe— para mais de 10 mil km² em 2019, subindo novamente para 10,9 km² em 2020 e para assustadores 13 mil km² em 2021. Foi quando o governo, que lá no início do mandato comprava uma crise diplomática com os europeus pelo direito de desmatar o próprio território, decidiu esconder os dados do mundo, mentindo na conferência de clima da ONU ao falar em queda do desmatamento.
Os dados do sistema Deter (Inpe) divulgados na sexta-feira (12) confirmam a consolidação desse patamar: a devastação de 8.590 km² da Amazônia entre agosto do ano passado e julho deste ano só fica atrás dos períodos 2019-2020 e de 2020-2021.
Enquanto desmatadores aproveitam o que pode ser o último semestre da anistia concedida pelo governo Bolsonaro, que paralisou 98% dos processos de multas ambientais, candidatos à Presidência e também aos governos estaduais anunciam compromissos na direção contrária: a de retomada da fiscalização e das políticas ambientais.
Por um lado, o exemplo extremo do projeto antiambiental de Bolsonaro serve como catapulta para a orientação das candidaturas na direção de projetos comprometidos com a proteção. Por outro, há o risco de ele virar um novo parâmetro para a medição de progressos.
O risco é que o parâmetro bolsonarista crie um ambiente de compromissos confortáveis, que representam algum alívio se comparado ao descontrole que vivemos nos últimos anos, mas que não nos livrará do colapso ambiental e climático. A alternativa é partir das balizas científicas e das experiências mais bem-sucedidas.
Os novos governantes serão responsáveis por percorrer metade do caminho —ou o percurso todo, em casos de reeleição— até o prazo para zerar o desmatamento da Amazônia, entre 2028 e 2030.
O final da década marca um limite imposto pela meta assumida pelo Brasil no Acordo de Paris de mudança do clima e também pela ciência, já que a devastação atual nos coloca em cima do ponto de não retorno, a partir do qual o bioma não consegue se regenerar e começa a perder as características de floresta tropical.
O fim da década também coincide com o prazo dado pelo painel do clima da ONU para que os países cortem 55% das suas emissões, como forma de evitar os cenários mais catastróficos da crise.
O país já conhece parte do percurso para reverter o patamar atual de desmate, pois conseguiu o feito em 2009, quando, por meio de ações como a moratória da soja e o PPCDAm (Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento da Amazônia), fez despencar pela metade o desmatamento na Amazônia.

Termine de ler esta reportagem na Folha de S. Paulo

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