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Imagens de satélite mostram plataforma de gelo da Antártida desmoronando mais rápido do que se pensava

16/08/2022

As geleiras no litoral da Antártida estão desprendendo icebergs mais rapidamente do que a natureza consegue repor o gelo, duplicando as estimativas anteriores de perdas da maior plataforma de gelo do mundo nos últimos 25 anos, conforme mostrou uma análise de satélite nesta semana.
O primeiro estudo desse tipo, liderado por pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato (LPJ) da Nasa perto de Los Angeles e publicado na revista Nature, levanta uma nova preocupação sobre a velocidade com que as mudanças climáticas estão enfraquecendo as plataformas de gelo flutuantes da Antártida e acelerando o aumento global dos níveis do mar.
A principal descoberta do estudo foi que a perda de pedaços das geleiras costeiras da Antártida que se soltam no oceano é quase igual à quantidade de gelo que os cientistas já sabiam que é perdida com o afinamento das plataformas de gelo inferiores causado pelo aquecimento do mar e o derretimento.
Juntos, o desbaste e o desprendimento reduziram a massa das plataformas de gelo da Antártida em 12 trilhões de toneladas desde 1997, o dobro da estimativa anterior, concluiu a análise.
A perda líquida da camada de gelo do continente apenas por desprendimento no último quarto de século abrange uma área aproximada de 37 mil quilômetros quadrados, quase o tamanho da Suíça, de acordo com o cientista do LPJ Chad Greene, principal autor do estudo.
"A Antártida está desmoronando em suas bordas", disse Greene em um anúncio da Nasa sobre as descobertas. "E quando as plataformas de gelo diminuem e enfraquecem, as enormes geleiras do continente tendem a acelerar o derretimento e aumentar a taxa de elevação global do nível do mar."
As consequências podem ser enormes. A Antártida contém 88% do potencial de nível do mar de todo o gelo do mundo, disse ele.
As plataformas de gelo, camadas flutuantes permanentes de água doce congelada presas à terra, levam milhares de anos para se formar e agem como contrafortes segurando geleiras que, de outra forma, deslizariam facilmente para o oceano, fazendo com que os mares subissem.
Quando as plataformas de gelo são estáveis, o ciclo natural de longo prazo de desprendimento e recrescimento mantém seu tamanho razoavelmente constante.
Nas últimas décadas, porém, o aquecimento dos oceanos enfraqueceu as plataformas por baixo, fenômeno anteriormente documentado por altímetros de satélite que medem a mudança da altura do gelo e mostram perdas em média de 149 milhões de toneladas por ano de 2002 a 2020, segundo a Nasa.
Para essa análise, a equipe de Greene sintetizou imagens de satélite de comprimentos de onda visíveis, infravermelho térmico e radar para mapear o fluxo glacial e o desprendimento desde 1997 com maior precisão do que nunca em 50 mil quilômetros da costa antártica.
As perdas medidas ultrapassaram a reposição natural das plataformas de gelo de tal forma que os pesquisadores acharam improvável que a Antártida possa recuperar os níveis das geleiras anteriores a 2000 até o final deste século.
O desprendimento glacial acelerado, assim como o afinamento do gelo, foi mais pronunciado na Antártida Ocidental, área mais atingida pelo aquecimento das correntes oceânicas. Mas mesmo no leste da Antártida, região cujas plataformas de gelo eram consideradas menos vulneráveis, "estamos vendo mais perdas do que ganhos", disse Greene.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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