
16/08/2022
Eles já deram marteladas em bombas de combustível e se colaram a obras-primas de museus e a ruas e estradas movimentadas. Acorrentaram-se a bancos. Invadiram a pista do GP de Silverstone da F-1 neste ano. Amarraram-se às travas dos gols, sob as vaias de dezenas de milhares de torcedores de futebol britânicos.
Os ativistas que empreenderam esses atos de perturbação da ordem nos últimos 12 meses disseram que estavam desesperados para transmitir a urgência da crise climática e que a maneira mais eficaz de fazê-lo é em público, bloqueando terminais petrolíferos e atrapalhando atividades normais.
Os ativistas também compartilham uma fonte inesperada de recursos financeiros: os herdeiros de duas famílias americanas que ficaram riquíssimas com o petróleo.
Duas organizações sem fins lucrativos relativamente novas que os herdeiros petrolíferos ajudaram a fundar estão financiando dezenas de grupos de protesto que se dedicam a usar a desobediência civil para interromper o funcionamento do "business as usual" (negócios, como sempre), principalmente nos Estados Unidos, Canadá e Europa.
Enquanto voluntários de grupos ambientalistas amplamente conhecidos, como o Greenpeace Internacional, usam táticas disruptivas há anos para chamar a atenção para ameaças ecológicas, as novas entidades estão financiando ativistas de base.
O Climate Emergency Fund foi fundado em 2019 sobre a premissa de que a resistência civil é imprescindível para promover as transformações sociais e políticas amplas e imediatas necessárias para combater a crise climática.
Margaret Klein Salamon, a diretora executiva do fundo, apontou para movimentos sociais do passado —sufragistas, ativistas dos direitos civis, defensores dos direitos dos gays— que alcançaram seus objetivos depois de manifestantes terem levado protestos não violentos às ruas.
"A ação pública desperta a opinião pública, influi sobre o que a mídia cobre e transforma o campo do que é politicamente possível", disse Salamon. "Os sistemas normais fracassaram. É hora de todas as pessoas entenderem que precisamos assumir esta luta."
Até agora o fundo distribuiu um pouco mais de US$ 7 milhões, disse ela, com o objetivo de impelir a sociedade para o modo de atuação de emergência. Embora os Estados Unidos estejam prestes a promulgar uma legislação climática histórica, essa legislação ainda permite a expansão da exploração petrolífera e de gás, algo que, segundo cientistas, precisa parar imediatamente para que se possa evitar uma catástrofe planetária.
Uma entidade que compartilha esses ideais é a Equation Campaign. Fundada em 2020, ela dá apoio financeiro e assistência jurídica a pessoas que vivem nas proximidades de refinarias, oleodutos e gasodutos e que estão tentando sustar a expansão da exploração de combustíveis fósseis, usando métodos que incluem a desobediência civil.
Um fato notável é que ambas as organizações têm o apoio de famílias que fizeram suas fortunas com o petróleo e cujos descendentes sentem a responsabilidade de reverter os males causados pelos combustíveis fósseis. Aileen Getty, cujo avô criou a Getty Oil, ajudou a fundar a Climate Emergency Fund, para a qual doou US$ 1 milhão até agora. A Equation Campaign foi criada em 2020 com US$ 30 milhões dados por dois membros da família Rockefeller, Rebecca Rockefeller Lambert e Peter Gill Case. John D. Rockefeller fundou a Standard Oil em 1870 e tornou-se o primeiro bilionário dos Estados Unidos.
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