
11/08/2022
Levantamento inédito do De Olho nos Ruralistas para o projeto Brasil sem Veneno — realizado em parceria com O Joio e o Trigo — identificou 542 iniciativas de resistência aos agrotóxicos pelo Brasil, incluindo aquelas de movimentos sociais e da sociedade civil, acadêmicas, educativas e comunicacionais, institucionais e legislativas. Esses projetos ocorrem nas 27 Unidades da Federação e incluem iniciativas de âmbito nacional.
Construída ao longo de seis meses de pesquisa, a base de dados levou em conta o histórico de ações realizadas por indivíduos, grupos e organizações, rurais e urbanos, que tenham como eixo central o combate ao uso abusivo de venenos agrícolas e a denúncia de seus impactos sobre o ambiente e a população.
As informações foram organizadas em um mapa interativo e separadas por eixo temático e área de atuação. Na caixa seleção, o leitor pode selecionar entre movimentos sociais e organizações civis, iniciativas legislativas, educativas, acadêmicas e de comunicação. Ao dar zoom, é possível visualizar as iniciativas locais. Um segundo mapa mostra as ações de âmbito estadual.
Há também um botão superior em que o usuário pode acessar a lista de iniciativas nacionais. Organizado como uma base de dados aberta, o mapa será atualizado constantemente para incluir outros grupos que atuem em todo o país.
O mapa das iniciativas de resistência ao uso de agrotóxicos integra o projeto Brasil Sem Veneno, uma iniciativa conjunta entre as equipes editoriais do observatório De Olho nos Ruralistas e de O Joio e o Trigo. A primeira etapa da cobertura trouxe um mapa exclusivo sobre os impactos do uso de agrotóxicos na saúde humana: “Contato com agrotóxicos pode levar a dano do DNA, causar câncer, problemas renais e doenças no sangue”.
Também foram publicadas reportagens sobre a perseguição sofrida por pesquisadores que trabalham com o tema a partir de uma perspectiva crítica aos venenos.
“Essa informação desse número de iniciativas contra agrotóxicos no país é muito interessante, pois mostra uma potência que está invisibilizada”, comenta Fernando Carneiro, Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e membro do GT de Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), ambas igualmente mapeadas no estudo.
“Esse número é impressionante e de fato revela iniciativas que estão invisibilizadas tanto pela grande mídia, como ignoradas por esse governo, que apoia o uso de agrotóxicos em larga escala”, opina Maíra Pereira Santiago, do setor de produção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que aparece no mapeamento tanto pelas ações de âmbito nacional quanto em projetos agroecológicos realizados em acampamentos e assentamentos da reforma agrária.
Durante os anos 2000, o avanço acelerado do agronegócio e a utilização de agrotóxicos em larga escala acenderam um sinal de alerta para diversas organizações da sociedade civil. Faltavam ferramentas e fóruns que pudessem agregar as diversas iniciativas de luta contra os agrotóxicos e em defesa da agroecologia. Buscando dar visibilidade para essas questões, foi criada em 2010 a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, primeiro grupo a articular essas demandas a partir da pauta comum do combate aos venenos agrícolas.
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