
11/08/2022
Em meio à onda de calor na Europa, postagens relembrando antigas temperaturas extremas viralizaram nas redes sociais, em uma tentativa de negar a mudança climática.
As publicações apresentaram calendários, tabelas de referência e notícias de décadas anteriores para mostrar, por exemplo, que os termômetros na Espanha já chegaram a marcar 50°C.
Especialistas advertem, no entanto, que esses picos de calor não contradizem o aquecimento global e que essas publicações induzem ao erro, já que apresentam dados isolados não compilados corretamente.
Em meio à onda de calor na Europa, postagens relembrando antigas temperaturas extremas viralizaram nas redes sociais, em uma tentativa de negar a mudança climática.
As publicações apresentaram calendários, tabelas de referência e notícias de décadas anteriores para mostrar, por exemplo, que os termômetros na Espanha já chegaram a marcar 50°C.
Especialistas advertem, no entanto, que esses picos de calor não contradizem o aquecimento global e que essas publicações induzem ao erro, já que apresentam dados isolados não compilados corretamente.
Os especialistas alertam que os critérios para garantir uma medição correta devem cumprir parâmetros.
"Os sensores devem estar protegidos do sol e da chuva, e a temperatura do interior da estação deve ser a mesma que a do exterior", disse Ricardo Torrijo, técnico de meteorologia da Aemet. Portanto, se os 50 graus foram registrados sob o sol, como reconhece o La Vanguardia, não seria um registro válido.
Um caso semelhante citou o semanário El Español de agosto de 1957 e sua manchete "O verão mais quente do século", que alertava para temperaturas em torno dos 50 graus. Este número também havia sido medido sob o sol.
Isabel Cacho, da Universidade de Barcelona (UB) e especialista em variação climática natural do planeta, afirmou à AFP que, "no hipotético caso de que" se tenha alcançado esses 50 graus, "não seria um argumento para questionar que a situação atual seja mais quente".
"A anormalidade deste dia em específico tem um efeito muito pequeno na média (das temperaturas) e a tendência não muda", acrescentou Pedro Zorrilla, especialista espanhol em mudança climática e combustíveis fósseis do Greenpeace Espanha.
José Luis García, outro especialista em mudança climática e porta-voz do Greenpeace Espanha, acrescentou: "Esses dados de altas temperaturas não servem para desacreditar a existência da mudança climática (...) Uma coisa são dados pontais de temperatura e outra, muito diferente, é o aumento da tendência e a temperatura média".
Os especialistas também concordaram que na última década aumentaram os fenômenos meteorológicos extremos por influência da mudança climática.
Eventos como as ondas de calor ocorrem cada vez com mais frequência, afirmou em junho o doutor em geografia e história Mariano Barriendos, da Universidade de Barcelona.
Fonte: Folha de S. Paulo
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