
02/08/2022
O único incinerador de resíduos perigosos em operação no estado do Rio de Janeiro vai parar de funcionar em agosto. O equipamento fica no distrito industrial da Bayer, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
A empresa Orizon, responsável pelo incinerador, afirma que operação deixou de ser lucrativa para justificar o encerramento em 30 dias. O anúncio preocupa ambientalistas.
Instalado há 30 anos, o equipamento passou a ser referência para a destruição de resíduos considerados perigosos ou com potencial de causar danos à saúde e ao meio ambiente.
Entre os exemplos estão lixo hospitalar, agrotóxicos fora da validade e produtos químicos corrosivos.
O incinerador alcança temperatura de até 1.200ºC e tem filtros especiais, que retêm as impurezas evitando que a fumaça espalhe contaminação.
Em nota, a Orizon alega que a operação da unidade foi planejada para atender majoritariamente a demanda do cliente proprietário do complexo onde fica o incinerador - a Bayer.
No entanto, nos últimos anos, com a diminuição significativa dos resíduos, devido a transferências das unidades da empresa, optou pelo encerramento das atividades.
De acordo com a empresa, a queima de resíduos, que era de 5.500 toneladas por ano, caiu pela metade, o que inviabilizou o negócio.
A Bayer afirmou em nota que a redução da geração de resíduos está ligada a compromissos globais de sustentabilidade e mudanças na estratégia da empresa. E que, consequentemente, diminuiu também o uso do incinerador.
A desativação do incinerador levou o sindicato dos profissionais em atividade de defesa do meio ambiente a denunciar o risco desses resíduos perigosos serem descartados de forma inadequada.
"O maior problema que nós temos é que nós estamos vendo além da questão da demissão dos trabalhadores, que será imediata, uma questão de segurança pública", afirma Sérgio Silveira Monteiro, presidente do Sindicato dos Profissionais e Trabalhadores em Atividade de Defesa do Meio Ambiente (SIMA).
"Por quê? Se nós fecharmos esse incinerador, onde que vão ser incinerados os lixos classe 1 e 2, que é entorpecente, herbicida, larvicida, óleo ascarel, dentre outros. E o nosso maior medo é que esses produtos venham parar nos aterros sanitários e ainda mais nos lixões, que ainda temos muitos lixões espalhados no estado do RJ sem regulamentação."
Fonte:g1
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