
26/07/2022
Sobras de alimentos, poda de árvores e outros resíduos orgânicos são reaproveitados, geralmente, na compostagem. Mas dá pra fazer mais do que isso. Pesquisadores da Universidade de Brasília estão transformando o que ia para o lixo em energia. O professor Edgar Amaral Silveira, do Departamento de Engenharia Mecânica, conta que a equipe está fazendo um levantamento do potencial de diferentes resíduos de atividades agroextrativistas do Cerrado.
“A gente já ‘tá pensando no reaproveitamento de alguns resíduos vinculados à cadeia alimentícia. Por exemplo, o pequi tem toda a parte que se faz a raspa para indústria de alimento, mas sobra o caroço. Então já temos a pesquisa sobre o caroço do pequi vinculado à produção de biocombustível sólido ou a parte de transesterificação do óleo extraído do pequi para fazer biodiesel ou mesmo a gaseificação desse resíduo”, explica.
Uma parte dos testes foi realizada em Portugal, em parceria com o Instituto Superior Técnico de Lisboa. Bagaços de malte e caroços de pequi passaram por um processo de gaseificação e demonstraram ter alto poder calorífico como explica a professora Grace Ghesti do Departamento de Química da UnB.
“O processo de gaseificação em si gera gás de síntese, que são gases que tem um poder calorífico mais alto. Um gaseificador em um sistema combinado de um motor ou de uma turbina, a gente consegue gerar energia muitas vezes com eficiência bem maior do que um sistema de biogás ou de um gerador simples a diesel”, afirma.
A pesquisadora destaca que a expectativa é que a energia gerada com os resíduos atenda justamente quem faz o descarte. “[A ideia é que] Comunidades isoladas, extrativistas ou até mesmo indústria cervejeira e agroindústria [possam] ter seu próprio sistema de geração de energia a partir de seu resíduo”, completa.
A quantidade de lixo é grande mas o reaproveitamento ainda é muito pequeno. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, de quase 37 milhões de lixo orgânico produzido no Brasil por ano, apenas 1% é reaproveitado.
Fonte: Ciclo Vivo
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