
26/07/2022
Em 3 de abril de 1860, em uma carta endereçada ao botânico americano Asa Gray, o naturalista britânico Charles Darwin manifestou sua frustração diante da presença das chamativas caudas dos pavões: "A visão de uma pena na cauda de um pavão, toda vez que a observo, me deixa doente!"
Seu descontentamento era porque as caudas dos pavões contradiziam sua teoria da evolução por seleção natural, já que em vez de aumentar a sobrevivência dos pavões, pareciam fazer o contrário.
Onze anos depois, em 1871, Darwin propôs a solução para esta (aparente) contradição em seu livro "A Origem do Homem e a Seleção Sexual".
Segundo o britânico, a função das características vistosas (ornamentos) não é aumentar a sobrevivência de seus donos, mas sim seu sucesso reprodutivo.
Ou seja, a presença de características chamativas, como as caudas dos pavões, é explicada pela seleção sexual, e não pela seleção natural.
Atualmente, sabemos que os ornamentos funcionam como sinais de qualidade: informam sobre a condição física, a saúde ou a personalidade de seus detentores.
Além disso, também sabemos que os ornamentos transmitem informações honestas, uma vez que são onerosos de serem produzidos.
Isso faz com que apenas os indivíduos da mais alta qualidade sejam capazes de produzir os ornamentos mais atraentes.
No entanto, apesar de nosso conhecimento sobre ornamentos ter avançado muito desde a época de Darwin, ainda há muitas questões em aberto sobre sua evolução.
As mudanças climáticas e seus efeitos sobre a fauna e a flora têm recebido muita atenção da comunidade científica.
A maioria dos estudos se concentrou em explorar os efeitos das mudanças climáticas no início da floração das plantas ou na data da postura de ovos das aves.
Em contrapartida, os efeitos das mudanças climáticas em outras características, como os ornamentos exibidos por várias espécies de animais e até plantas, são praticamente desconhecidos.
A importância de estudar os efeitos das mudanças climáticas sobre os ornamentos está no fato de que seus custos de produção variam de acordo com as condições ambientais.
Quando as condições ambientais são boas (por exemplo, quando há muita comida), os ornamentos são relativamente mais baratos de produzir do que quando as condições ambientais são ruins (por exemplo, quando há pouca comida).
Se a mudança climática continuar a piorar as condições ambientais, os custos relativos à produção destes sinais podem aumentar.
Esta reportagem pode ser lida por inteiro na Folha de S. Paulo
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