
19/07/2022
António Guterres, secretário-geral da ONU, comparou a emergência climática a um "suicídio coletivo". A fala, a autoridades de 40 países reunidas em Berlim nesta segunda (18), se deu em meio a ondas de calor e incêndios florestais no continente que evidenciam a questão —a França, por exemplo, viu termômetros chegaram pela primeira vez na história a 42°C, temperatura registrada em Nantes.
"Metade da humanidade vive em zonas de perigo de inundações, secas, tempestades extremas e incêndios florestais", afirmou o português, segundo relato do jornal britânico The Guardian. "Mas continuamos alimentando nosso vício em combustíveis fósseis; nós temos uma escolha: a ação coletiva ou o suicídio coletivo."
Representantes de governos estão reunidos no Diálogo Climático de Petersberg, conferência organizada pelo governo da Alemanha. O objetivo é estreitar as negociações e pressionar as autoridades por metas mais ambiciosas para a COP27 (conferência climática da ONU), prevista para ocorrer em novembro, no Egito.
As tratativas esbarram no recuo de várias metas climáticas provocado, entre outros fatores, pela Guerra da Ucrânia. O governo do premiê Olaf Scholz, anfitrião do evento, por exemplo, anunciou em junho que iria reiniciar usinas de carvão para economizar gás natural e diminuir a dependência do produto russo.
A mensagem do encontro, porém, é de progresso. "A crise climática é a questão de segurança mais séria do nosso tempo", escreveu a ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, no Twitter. "Muito dano já foi causado; agora é hora de agir."
Os governos se reúnem ao mesmo tempo que vários assistem a consequências severas das mudanças climáticas. Na Inglaterra, pela primeira vez o serviço nacional de meteorologia previu temperaturas de até 41°C nesta segunda ou terça-feira (19). O governo disparou um alerta de emergência nacional.
A temperatura representaria recorde para o Reino Unido, uma vez que a cifra mais alta já registrada foi de 38,7°C, em Cambridge, há exatos três anos. Londres acionou o nível de alerta 4, que indica que a onda de calor pode ter impactos além da saúde, com consequências para os sistemas de transporte, por exemplo.
No aeroporto de Luton, na região da capital, as operações foram suspensas depois de o calor provocar um dano na pista. Em Londres, a administração local "embrulhou" em uma espécie de papel alumínio a estrutura da ponte Hammersmith, de modo que as altas temperaturas sejam refletidas e não obriguem ao fechamento da passagem, usada por pedestres e ciclistas —em 2020 rachaduras foram detectadas em uma época de calor na construção de 135 anos.
Penny Endersby, diretora do serviço de meteorologia britânico, disse à rede BBC que diversos estudos demonstraram que, sem as mudanças climáticas, inexistiriam chances de o Reino Unido observar temperaturas na casa dos 40°C. Mas acrescentou que, ao final deste século, o fenômeno poderá ser esperado novamente —uma vez a cada 3 anos ou a cada 15, "a depender das decisões que tomarmos a partir de agora".
A Espanha enfrenta o oitavo dia de uma onde de calor que levou a mais de 510 mortes, de acordo com o Instituto de Saúde Carlos 3º. Mais de 70 mil hectares de florestas queimaram em meio a incêndios, a maior cifra da última década segundo dados oficiais.
A matéria completa pode ser lida na Folha de S .Paulo
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